Os anos finais (1913-1917)

A morte, aos 44 anos

Oswaldo Cruz não teve tempo para atacar a maioria dos ambiciosos projetos que tinha como prefeito de Petrópolis. Cada vez mais doente, poucos meses depois de empossado pediu licença do cargo, ao qual não voltaria. Abandonou até mesmo o hábito de cuidar de seu jardim, onde cultivava rosas ("fazia enxertos maravilhosos", contará a filha Liseta). E, num texto escrito a lápis, formulou as suas últimas vontades.

Salles Guerra discursa durante o enterro de Oswaldo Cruz, no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro
Cercado pela família — sua "tribo", costumava dizer — e por amigos, entre eles Carlos Chagas, Belisário Pena e Salles Guerra, o grande sanitarista morreu em casa, na rua Montecaseros, em Petrópolis, às 21h10 do dia 11 de fevereiro de 1917, aos 44 anos de idade. A causa mortis: insuficiência renal.

Foi enterrado, no dia seguinte, no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro, debaixo de intensa comoção popular, com consagradora cobertura na imprensa e honras só reservadas aos maiores heróis nacionais.

Busto de Oswaldo Cruz em frente ao Pavilhão Mourisco
Ao contrário de tantos outros heróis, no entanto, não seria esquecido. Quase um século depois de sua morte, Oswaldo Cruz é mais que um nome de ruas, praças e avenidas em todo o Brasil — e até mesmo em sua amada Paris, onde existe, nas proximidades do Arco do Triunfo, uma rue Oswaldo Cruz, não longe de onde ele morou, jovem bolsista do Instituto Pasteur, na década de 1890. Sua obra está viva em Manguinhos, no Rio, sede do centro de excelência em pesquisa científica que é a moderna Fiocruz. E também na memória do povo, conforme vêm atestando enquetes de opinião ao longo dos anos: quando se fala em cientista brasileiro, é de Oswaldo Cruz que a população se lembra em primeiro lugar.