Louros e glórias (1907-1913)

O Castelo de Manguinhos

Desenho de Oswaldo Cruz que serviu de base para a construção do Pavilhão Mourisco
Durante seus cinco primeiros anos de existência, o Instituto Soroterápico Federal esteve precariamente instalado na antiga Fazenda de Manguinhos. A paisagem começou a mudar em 1905, quando Oswaldo Cruz encarregou o engenheiro e arquiteto português Luís Moraes Júnior de construir ali um imponente edifício — que viria a ser o centro do conjunto arquitetônico de Manguinhos —, com base num desenho tosco que o sanitarista fez de próprio punho e lhe entregou. O prédio ficaria pronto em 1918, um ano depois da morte de Oswaldo Cruz.

O estilo arquitetônico então em voga era o eclético neomourisco. "É o mais bonito", justificava o diretor do instituto, que em 1908 incumbiria o técnico português de projetar também, na mesma linha, uma residência para si mesmo, na praia de Botafogo — "a casa da praia", como é lembrada até hoje pela família. Ficava numa das esquinas da atual rua Alfredo Gomes. Quando a torre da construção começou a ganhar altura, gaiatos espalharam que ela se destinava a "guardar os mosquitos do dr. Oswaldo".

Com quatro pavimentos, o Pavilhão Mourisco, também chamado Castelo de Manguinhos, tem cinqüenta metros de altura por 45 de largura. Em sua construção foram utilizados materiais nobres, trazidos de vários países europeus. As varandas, por exemplo, são revestidas de azulejos portugueses, e o piso, de mosaicos franceses. A escadaria principal, de ferro forjado, tem degraus em mármore de Carrara. O elevador, alemão, instalado em 1909, é hoje em dia o mais antigo em funcionamento no Rio de Janeiro.

Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1981, o Castelo de Manguinhos é uma das raras edificações em estilo neomourisco ainda existentes na cidade.