As grandes batalhas (1899-1907)

As brigadas de mata-mosquitos

Brigadas de mata-mosquitos
Tratava-se, pois, de combater o mosquito, eliminando os focos onde ele se reproduzia sob a forma de larva — e foi o que fez Oswaldo Cruz a partir de abril de 1903. No dia seguinte à sua posse na Diretoria Geral de Saúde Pública (DGSP), a imprensa noticiou que ele faria uma viagem a Havana, "a fim de estudar de perto as condições em que foram ali feitos o saneamento do solo e o aniquilamento da febre amarela". Por conta dessa viagem, que acabou não se realizando, fez sucesso no Rio uma canção galhofeira, "Espere um pouco... eu vou a Cuba", cuja autoria foi gaiatamente atribuída ao mosquito transmissor da doença. Na imprensa, o sanitarista tornou-se personagem obsessivo dos caricaturistas.

Mata-mosquitos vedam residências para aplicação de veneno contra o transmissor da febre amarela
Por iniciativa de Oswaldo Cruz, criou-se um Serviço de Profilaxia Específica da Febre Amarela e se incorporou à DGSP o pessoal médico e das turmas de limpeza do Distrito Federal. Entre outras medidas adotadas, brigadas de mata-mosquitos — agentes sanitários munidos de larvicida e instrumentos apropriados para a eliminação dos focos — passaram a percorrer a cidade, lavando caixas d'água, desinfetando ralos e bueiros, limpando telhados e calhas, eliminando depósitos de larvas do inseto. Doentes eram isolados em casa ou removidos para o Hospital de Isolamento São Sebastião.

Cada novo caso deveria, obrigatoriamente, ser comunicado às autoridades sanitárias. Folhetos com instruções nesse sentido eram distribuídos não só à imprensa e à população em geral como aos médicos — a maioria deles, refratária à exigência de notificação, quando não descrente da profilaxia posta em prática por Oswaldo Cruz. As resistências foram aos poucos sendo vencidas, em parte graças ao apoio da Missão Pasteur, composta por cientistas franceses, que, instalada no Rio desde novembro de 1901, comprovava a validade da tese do cubano Finlay.

Poucos anos mais tarde, em 8 de março de 1907, com Afonso Pena no comando do país, Oswaldo Cruz poderá escrever ao novo presidente para comunicar que, "graças à firmeza e vontade do governo, a febre amarela já não mais devastava sob a forma epidêmica a capital da República".