Tempo de formação (1872-1899)

Um começo acelerado

Era costume, naquele tempo, os jovens médicos iniciarem carreira em cidades do interior — e foi por isso que, filho de cariocas, Oswaldo Gonçalves Cruz nasceu na pequena São Luís do Paraitinga, na Serra do Mar paulista, em 5 de agosto de 1872. Era o mais velho do casal Amália Taborda Bulhões Cruz e Bento Gonçalves Cruz, que tiveram também cinco meninas: Eugênia, Amália, Alice, Noemi e Hortência.

O garoto ali viveu até os cinco anos de idade, quando a família se mudou para o Rio de Janeiro, instalando-se numa casa na Gávea, então distante subúrbio que uma linha de bondes acabara de ligar ao centro da cidade.

Oswaldo Cruz aos doze anos de idade
Alfabetizado pela mãe, Oswaldo já sabia ler, mas foi no Rio que, pela primeira vez, freqüentou escola — dois colégios que já não existem, o Laure e o São Pedro de Alcântara.

Com o dr. Bento, a quem no futuro vai se referir como o seu maior amigo, não aprendeu apenas a amar a medicina e a ciência. Uma lição do pai, entre muitas outras, será particularmente inesquecível. Com ele se parecerá, e não apenas nos traços de caráter: os dois tinham a mesma estatura, a mesma palidez, a mesma implantação dos cabelos precocemente encanecidos, os mesmos traços fisionômicos, largos, simpáticos e expressivos.

O futuro cientista não era, ao tempo do colégio, exatamente um aluno brilhante: tirava notas apenas medianas. Como todo garoto, era dado a travessuras, algumas das quais seriam registradas no livro Romance de Oswaldo Cruz, de Gastão Pereira da Silva.