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Nome: Danilo José de Sá
Escola: Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Cidade: Natal - RN
Categoria : Ensino Universitário
Classificação : 2º lugar

O direito é das mulheres e a injustiça é dos homens

"Figura invulgar para o mundo em que viveu, forte, sensível, enérgica, heróica na defesa e divulgação de suas idéias, nenhum outro nome se pode comparar com sua atividade mental e acompanhar-lhe o traço impressionante de sua mentalidade nova, generosa, idealista."
Luís da Câmara Cascudo
(Historiador e Folclorista)

Mulher não votava, não escolhia, não falava. Mulher obedecia. Casavase com o homem escolhido pela família. Respondia ao seu homem o que ele lhe perguntava. Dionísia Gonçalves Pinto não queria ser assim. Seu nome pode ser considerado um sinônimo de pioneirismo na luta pela defesa dos direitos da mulher e das minorias, como os índios e os negros. Aos treze anos teve seu primeiro casamento que durou poucos meses. Abandonou o marido e voltou para casa dos pais, desafiando toda a sociedade extremamente patriarcal em que vivia. A população não aceitou o ato libertino de Dionísia. Sua família acabou obrigada a se mudar para Pernambuco, estado vizinho aonde nascera, no interior do Rio Grande do Norte, no Sítio Floresta, mais especificamente na cidade de Papari em 1810.

Perdeu seu pai ainda muito cedo, sem direito a sentir sua falta aceitou "casar-se" novamente. Dessa vez, passou a morar ao lado do acadêmico da Faculdade de Direito, Manuel Augusto de Faria Rocha. Isso tudo prestes a completar dezoito anos de idade: a maioridade. Naquela época a maioridade existia somente para os homens. Em 1830, dois anos após começar a dividir sua vida com Manuel Augusto, nasce sua primeira filha. Lívia será a eterna companheira de viagens da mãe e futura tradutora de seus vários livros publicados por toda a Europa.

A estréia nas letras foi sem muita pretensão. Quem diria que aquela menina, que escrevia artigos para o jornal "Espelho das Brasileiras", dedicado às senhoras pernambucanas, viria a ser uma das maiores educadoras que esse país continental já viu. Uma época em que mulher não educava, mas aquela época não era a dela. Já nesse período, defendeu as mulheres e escreveu sobre o papel destas em diversas culturas.

O primeiro livro foi publicado em 1832. "Direito das mulheres e injustiça dos homens", revela bem o teor do pensamento de Dionísia. Questionava o porquê de não haver mulheres em cargos como de general, almirante, ministro, entre outras posições de comando. Foi com o primeiro livro que surgiu também o pseudônimo Nísia Floresta Brasileira Augusta, um nome, uma marca, uma história. O feminismo ganhava uma aliada de peso no Brasil.

Em 1833, já morando no Rio Grande do Sul, a vida dela sofre uma reviravolta. Nesse ano lançou a segunda edição de seu primeiro livro, teve seu segundo filho, chamado Augusto Américo, e perdeu o marido, falecido repentinamente aos 25 anos. Com quase 23 anos, Nísia Floresta já era escritora, viúva, e com dois filhos pequenos para criar.

Fugindo da Revolução Farroupilha, Nísia Floresta levou seus filhos para o Rio de Janeiro, então capital federal do Brasil. Sua vontade de educar florescera com a fundação, em 1838, do "Colégio Augusto", uma homenagem a seu esposo. Um ano depois produz a terceira edição do livro "Direito das mulheres e injustiça dos homens", encerrando um ciclo que demonstrou todo o pensamento de Nísia. A primeira feminista do Brasil.

Multiplicaram-se os lançamentos de livros. O mais editado e traduzido foi "Conselhos à minha filha", que também possuiu sua segunda edição. Ainda foram publicados: "Daciz ou A jovem completa"; "Fany ou O modelo das donzelas"; "Discurso que às suas educandas dirigiu Nísia Floresta Brasileira Augusta"; a primeira edição de "A lágrima de um Caeté". Todos escritos em pouco mais de sete anos.

Em 1850, Nísia Floresta já está em Paris. De lá ela vê seu o romance histórico "Dedicação de uma amiga", ser lançado em Niterói com dois volumes. De volta ao Rio de Janeiro, três anos depois, a marca do feminismo volta a aflorar. Com a publicação do livro "Opúsculo humanitário" a autora condena toda e qualquer formação da mulher como existia, no Brasil e em diversos países.

Em 1855, publica uma série de oito textos sobre a escravidão no jornal "O Brasil Ilustrado". Expõe seu ponto de vista sobre o problema social em uma época em que as mulheres eram muitas vezes proibidas até de pensar. Seguiram-se a essa publicação outras como "Passeio ao Aqueduto da Carioca" e "O Pranto Filial", onde é explicito a dor da autora com a perda da mãe. O livro de versos "Pensamentos" é lançado em 1856, mesmo ano em que Nísia volta a Europa, para só pegar o caminho do Brasil novamente, 16 anos depois.

Em 1857, escreve um livro dedicado ao filho e aos irmãos "Itinéraire d'un voyage en Allemagne", descrevendo o que achava sobre as cidades da Alemanha. Um ano depois é traduzido para o italiano e depois pra o francês o livro "Conselhos à minha filha", que chegou a ser recomendado pelo Bispo de Mandovi para uso nas escolas católicas de Piemonte na Itália.

Os lançamentos europeus dos livros de Nísia Floresta ainda possuem como títulos: "Scintille d' un' anima brasiliana"; a edição italiana de "A lágrima de um Caeté"; "Trois ans en Italie, suivis d'un voyage en Grece", debatendo os problemas políticos e sociais italianos e reflete sobre a escravidão, a história e as manifestações culturais da Itália; além de "Parsis", um livro que consta como sendo de Nísia, mas que jamais teve um exemplar identificado. A série de publicações e traduções dos livros da educadora brasileira prosseguia.

É somente em 1872 que ela volta ao Brasil aproveitando para vender terras que herdara no Nordeste. De volta a terra de Napoleão Bonaparte, em 1878, publica "Fragments d'un ouvrage inedit - notes biographiques", que traz informações do seu irmão Joaquim Pinto Brasil e revela, pela primeira vez, dados biográficos da autora.

Uma biografia surpreendente, mas com um fim comum. De menina pobre, que saiu do Rio Grande do Norte e conheceu o mundo, que revelou seus pensamentos desafiando toda a humanidade que endeusava os homens do período, a morte por pneumonia revelava a face humana daquela brasileira. Com 75 anos, falecia no interior da França, a mulher que marcou seu nome como a primeira feminista do Brasil. Que venceu preconceitos. Que fez da sua vida a vida que sempre quis. Educadora, escritora, militante de seus pensamentos. Uma brasileira. Acima de tudo feminista.