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Nome: Monalisa Porto Araújo
Escola: Universidade Federal da Paraíba
Cidade: João Pessoa - PB
Categoria : Ensino Universitário
Classificação : 1º lugar

A coragem de ser

A sociedade brasileira do século XIX estava marcada pelo escravagismo e pela concepção de inferioridade das mulheres diante dos homens, o patriarcalismo. Essa concepção, por séculos arraigada em nossa sociedade, destinou a submissão e os afazeres domésticos às mulheres e o poder e a vida social aos homens.

É em meio a esse contexto de injustiça que nasce, em 12 de outubro de 1810, a nordestina, mais especificamente, a potiguar Dionísia Gonçalves Pinto, filha de Dionísio Gonçalves Pinto Lisboa e Antônia Clara Freire.

O fato de ter sido obrigada a casar-se, aos treze anos de idade, a fez perceber o quanto a sociedade era injusta com as mulheres e, desde esse momento, demonstrou sua força e coragem ao separar-se do marido mesmo sabendo sobre o preconceito da sociedade com mulheres “separadas”.

Aos quatorze anos seu pai morre assassinado e, após esse acontecimento, ela vai morar com o homem que escolheu, Manoel Augusto de Faria Rocha, ignorando as ameaças de seu primeiro marido que a acusava de adultério. Com Manoel concebeu em 1830, Lívia, e em 1833, Augusto. Infelizmente em agosto de 1833 Manoel faleceu aos vinte e cinco anos de idade.

Após escrever seu primeiro livro “ Direito das mulheres e injustiça dos homens”, Dionísia adota definitivamente o pseudônimo Nísia Floresta Brasileira Augusta, designação repleta de simbologias: Nísia, afinal do seu nome de batismo; Floresta, nome do sítio onde nasceu, no povoado de Papari, no Rio Grande do Norte; Brasileira, simbolizando seu ufanismo, e augusta, em homenagem ao seu segundo marido.

A potiguar Nísia Floresta recebeu vários adjetivos: a progressista, a feminista, a escritora e poetisa, a educadora, a cosmopolita. Todavia adjetivos são apenas palavras, que ao serem repetidas por várias vezes perdem seu significado, esvaziam-se do seu real sentido. Então, para falar de forma significativa sobre a vida de Nísia Floresta faz-se necessária uma associação entre os mencionados adjetivos e os verbos que a tornaram merecedora de tais qualificações.

Por perceber as injustiças e as desigualdades da sociedade, Nísia defendeu uma organização social mais justa, com a igualdade de direitos para índios, escravos e mulheres. Ela realizou várias conferências, a partir de 1839, defendendo a emancipação dos escravos, a liberdade de cultos e a federalização das províncias com o sistema republicano. Por tantas ações e seu pensamento inovador da sociedade ela é conhecida como a progressista.

Sua vida também foi marcada pela luta em defesa da equiparação dos direitos das mulheres aos dos homens. Foi precurssora da independência das mulheres utilizando para tal feito seus escritos, que, em grande parte, privilegiaram ousadas no âmbito da educação. Esses motivos a fizeram ser reconhecida como a feminista.

Ela acreditava que através da educação as mulheres alcançariam sua emancipação e esse foi um dos itinerários escolhidos por ela para lutar por uma sociedade com menos desigualdades. Iniciou sua trajetória na educação sendo preceptora de moças, em 1834. No ano de 1835 passou a dedicar-se à pedagogia e assumiu a direção de um colégio. Fundou, no rio de Janeiro, o Colégio Augusto, destinado ao ensino de meninas, em 1838. Foi muito criticada porque ousou com sua pedagogia que procurou minimizar a dicotomia existente entre a educação moral e instrução científica, já que esta última era oferecida somente aos homens, e por opor-se ao caráter comercial e ao tipo de educação oferecido às mulheres. O conjunto dessas ações no âmbito da educação a fizeram receber o título de a educadora.

Por volta de 1830, aos vinte anos, escreveu artigos para jornais abordando a condição feminina. Foi em meados desta década que ela escreveu seu primeiro livro “ Direito das mulheres e injustiça dos homens”, sendo reeditado por três vezes. Na década seguinte, ela escreveu suas principais obras, dentre elas “ Conselhos a minha filha”, de 1842. A década de 1850 também foi muito produtiva, nesse ano escreveu um romance histórico “Dedicações de uma amigas”. Em 1853 publicou “Opúsculo Humanitário”, em 1855 “Páginas de uma vida obscura” em 1859, “A mulher”. Entre 1860 e 1872 escreveu mais três livros e sua última obra foi publicada na França em 1875. Totalizou um montante de dezenove publicações em vida, sem mencionar os artigos e reedições de algumas de suas publicações, além de cinco obras póstumas. Algumas de suas obras foram escritas em francês, pois ela falava muito bem o francês e também o italiano. Por tantas publicações recebeu o justo mérito de a escritora e poetisa.

Como já foi citado, Nísia nasceu no Rio Grande do Norte, ainda criança foi residir em Goiana, no estado de Pernambuco. Depois de adulta foi para Porto Alegre (SC), onde nasceu seu segundo filho e a dedicação à pedagogia. Após alguns anos, por volta de 1837, mudou-se para o Rio de Janeiro e, no ano seguinte, fundou o Colégio Augusto. Já no ano de 1849, fez sua primeira viagem à Europa, com seus dois filho, onde fez contato com o positivismo de augusto Comte. Na década de 1850, de volta ao Brasil, lançou livros e trabalhou como enfermeira voluntária durante uma epidemia de cólera. Ao final da década de 1850, retornou a Europa e permaneceu até o ano de 1872, neste período aproximou-se ainda mais de Comte. No ano de 1872 volta ao Brasil, porém três anos depois, viaja novamente para Europa. Em 24 de abril de 1885 morre e é enterrada na França. Contudo, nem após a sua morte sua substância física deixou de ser viandante, pois, por causa da mudança do nome do povoado de Papari para Nísia Floresta, em 1949, este mesmo povoado recebe seus restos mortais em 1954. Ela não poderia ter recebido melhor homenagem, ficando imortalizada através do povoado onde nasceu. Mediante à tantas viagens foi qualificada como a nordestina cosmopolita.

Diante do exposto, torna-se necessário ressaltar que Nísia Floresta, além de todo os seus atributos foi, primordialmente, um mulher. Mulher que construiu sua trajetória, que foi protagonista de sua história, enfrentando as adversidades e colocando-as a seu favor em nome de seus ideais.

Com seus escritos e sua pedagogia contribuiu para que tivéssemos uma sociedade mais justa e é nosso papel não permitir que ela seja esquecida, incentivando a pesquisa sobre a mesma e outras tantas personalidades importantes que contribuíram bastante para a melhoria da nossa sociedade.

Nísia deixou-nos um grande legado, seus escritos. E sua trajetória de vida presenteou-nos com uma importante mensagem: coragem para emancipar-nos tornando-nos autônomos para lutarmos em defesa dos nossos ideais.