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Nome: Raquel de Almeida campos Arantes
Escola: CED 06 Taguatinga
Cidade: Samambaia Norte - DF
Categoria : Ensino Médio
Classificação : 3º lugar

A força do querer

Em meio à sociedade patriarcal e desigualitária do século XIX uma voz feminina ousava dizer: "Se queres modificar o mundo, educai as mulheres" Nísia Floresta, aquela que viria a ser, segundo Oliveira Lima, ,a "mais notável mulher de letras que o Brasil tem produzido,quer pela amplitude da visão, quer pela suavidade de estilo", uma grande educadora, escritora, tradutora, jornalista, progressista, defensora dos índios, enfermeira voluntária, precursora do abolicionismo, da República e da emancipação da mulher no Brasil.

Nísia Floresta Brasileira Augusta foi o pseudônimo adotado pela potiguar de Papari, nascida em doze de outubro de 1810, Dionísia Gonçalves Pinto.Ele significava: Nísia, diminutivo de Dionísia, Floresta, sitio onde nasceu, Brasileira, por seu espírito nativista e Augusta, uma homenagem ao seu grande amor, Manuel Augusto.

Já aos treze anos, sentiu o peso da desigualdade que havia entre homens e mulheres, casando-se, por imposição, com Manuel Alexandre de Seabra Meio, uma união que durou poucos meses. Posteriormente, passou a residir com Manuel Augusto de Faria Rocha, um jovem acadêmico, com quem teve seus filhos, numa atitude intrépida, nada aprovada pela sociedade da época, sendo ameaçada e acusada de adultério pelo seu primeiro marido.

Nísia Floresta, foi uma feminista que via a mulher como algo mais do que a sombra do homem, que só servisse de auxílio para o seu crescimento. Via, na educação, a porta que poderia levar, a mulher ao desenvolvimento e ao respeito social, destruindo a opressão vivida pela mulher, na luta por uma sociedade livre e democrática.

Foi instruída nos estudos clássicos, nos trabalhos manuais, no francês e no italiano. Conheceu o Oriente e a Europa. Fez cursos de ciências na Itália, Inglaterra e França, sempre investindo na ampliação de seus conhecimentos.

Foi preceptora de moças, diretora do colégio Augusto, onde oferecia um ensino diferenciado de educação feminina, propondo a combinação dos tradicionais trabalhos manuais, somados ao ensino do Português, de línguas estrangeiras, inclusive o Latim, e de Geografia, um desafio que foi bem acolhido pela sociedade. O colégio funcionou durante dezessete anos.

Como escritora, estreou divulgando, no jornal pernambucano, "Espelho das Brasileiras", suas idéias sobre a condição da mulher na sociedade e sua comparação com as culturas da antiguidade.

Como tradutora, iniciou sua carreira com a obra Vindication of the rights of woman, da feminista inglesa Mary Wollstonecraft, da qual fez tradução livre:

Diretos das mulheres e injustiça dos homens.

Já como poetisa, publicou dois volumes de poesias: Inspirações maternas e Memórias de minha vida.

Com espírito forte, conseguiu vencer os incautos de sua vida. O sítio de sua família foi saqueado e depredado por causa do espírito revoltado e antagônico de seu pai. As fatalidades da vida foram pesadas para ela, pois perdera seu pai, seu segundo filho e o amor de sua vida, além das perseguições que sofrera por ser uma mulher à frente de seu tempo, onde, até mesmo uma escritora e pedagoga, chamada Isabel Gondim, promovera, através de cartas, uma campanha com a intenção de difamar o nome de Nísia. As duas escritoras eram comparadas pelo professor Rodrigues Alves como "Nísia Floresta era gênio; Isabel Gondim, geniosa".

Era uma defensora dos direitos humanos e fez conferência sobre abolicionismo, liberdade de culto, República, além de lutar pela causa indígena e ser voluntária como enfermeira, numa epidemia de cólera que assolou o Rio de Janeiro. Era uma progressista convicta.

Com sua coragem, Nísia rompeu os limites do espaço privado, sendo a primeira mulher brasileira a usar a imprensa para difundir seus ideais, por sinal, muitos polêmicos, onde defendia o direito das mulheres, dos escravos, dos índios e do ser humano, lançando a semente da liberdade, da dignidade, da cidadania e da consciência político-social.

Defendia a abolição dos escravos e, por meio da poesia denunciava: "Feliz na minha cabana,/ sombreada de palmeiras, /eu vivia em terra da África,/ minha terra tão fagueira./ Lá deixei mulher e filhos, /meu trabalho e meu porvir, /a esses bens me arrancaram/ para um mal senhor seguir!".

Ao questionar a posição da sociedade machista, que via o homem como superior à mulher, dizia: "Se este sexo altivo quer fazer-nos acreditar que tem sobre nos um poder natural, de superioridade, por que não nos mostra o privilegio, que para isso recebeu da natureza, servindo-se de sua razão para justificar o direito com que reclamam nossos serviços, que também não o tínhamos contra ele?".

Na obra "Lagrimas de Caeté", traduz o ponto de vista do índio consciente de sua derrota histórica e inconformado com a opressão do invasor, ou seja, a degradação do índio no Brasil: "Quem em nome do piedoso céu vieram poesia tirarmos este bens qu'o céu nos dera, as esposas, a filha, a paz roubar-nos! Trazendo d'além-mar as leis, os vícios, nossas leis e costumes postergaram!".

Suas ações defendiam a educação como algo primordial, alem de criticar as formas de educação tradicional da época. Citou na obra "Opúsculo Humanitário":

"As escolas de ensino primário tinham antes o aspecto de casas penitenciária do que de casas de educação. O método da palmatória e da vara era geralmente adotado como melhor incentivo para o desenvolvimento da inteligência! [...] A palmatória era o castigo menos afrontoso reservado as meninas por mulheres, em grande parte, grosseiras, que faziam uso de palavras indecorosas, lançando-as ao rosto das discípulas, onde ousavam imprimir alguma vez a mão, sem nenhum respeito para com a decência, nem o menor acatamento exercia. [...] Esta inaudita e brutal severidade era sancionada por grande número de pais, cujo rigor doméstico não era menos cruel".

O dia oito de março é histórico e dedicado a mulheres de espírito revolucionário tal como o de Nísia Floresta, às funcionarias da fábrica americana Triangle Shist Waist, que reivindicaram a redução da jornada de trabalho e moveram, pela intolerância dos chefes em 1857, mas, sobretudo, à mulheres que lutam, no seu dia-a-dia por um mundo melhor.

Nísia Floresta faleceu em 24 de abril de 1885, aos setenta anos, na Normando, em Bonsecour, na França, onde também foi enterrada. Em 1948, Papari, povoado onde nasceu, muda de nome, passando a se chamar Nísia Floresta. Em 1954, a Base Naval e bandas de música a homenagearam, houve também a exposição do caixão, que chegara ao Brasil, perante a população e autoridades e o lançamento do selo comemorativo do seu retorno feito pelo Departamento dos Correios e Telégrafos. Nísia repousa no mausoléu construído em sua homenagem no sítio Floresta, onde nasceu.

Ainda depois de seu falecimento, foi muito homenageada, já que sua história merece os altos pícaros da glória. Mulheres que fazem acontecer, receberam medalhas de honra Nísia Floresta no dia 08 de março de 2005 em Natal-RN. Na oportunidade, o Prefeito da cidade, Carlos Eduardo, qualificou Nísia Floresta como "intrépida, corajosa e culta".

O progresso social só se dá quando se tira as vendas dos olhos, abrindo caminho para novos horizontes, quando se tem conhecimento e se busca, através da educação, o desenvolvimento. E é, exatamente, isso que a ilustre mulher brasileira de obras esplêndidas, Nísia Floresta, tinha como ideal. Sua vida é prova concreta de que se pode chegar a uma sociedade mais justa e igualitária, quando se luta por direitos e ideais, com o que é primordial: a educação. Nísia foi uma mulher que deu sua concreta contribuição para a sociedade e, se tivermos esse mesmo objetivo, poderemos lutar e conquistar uma sociedade cada dia melhor.