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Nome: Jimmy Lauder Mesquita Lucena
Escola: Colégio Boa Viagem
Cidade: Recife – PE
Categoria : Ensino Fundamental - 5ª a 8ª
Classificação : 2º lugar

NÍSIA FLORESTA: UMA BRASILEIRA À FRENTE DO SEU TEMPO

Nas minhas férias, costumo viajar com meus pais para a cidade de Natal, no Rio Grande do Norte. Durante o percurso, vamos parando e conhecendo novos lugares. Um desses lugares sempre me chamou a atenção, desde a primeira vez em que lá estivemos: uma aconchegante cidadezinha, já próxima a Natal, chamada Nísia Floresta.

Porém, eu não sabia o que simbolizava aquele nome tão diferente e intrigante. Pois só agora descobri que ele é uma homenagem a uma das grandes personagens que o Brasil já teve.

Isso mesmo: embora desconhecida da maioria dos brasileiros, a educadora, escritora e poetisa potiguar Dionísia Gonçalves Pinto, conhecida pelo pseudônimo de Nísia Floresta Brasileira Augusta, foi uma mulher singular, que dedicou sua vida à problemática dos índios e negros e á educação e emancipação das mulheres, dentre outras causas.

Dotada de uma visão humanista avançada e incomum, a feminista Nísia mudou completamente a tradicional forma de pensar das pessoas da sua época, que viviam sob a influência do uma sociedade patriarcal e machista.

Com suas idéias revolucionárias e suas obras publicadas no Brasil e na Europa, Nísia questionava situações e chamava as pessoas à reflexão sobre temas como injustiça e desigualdade social.

Apesar de sua vida pessoal conturbada (seu pai foi assassinado quando ela tinha apenas 17 anos e seu segundo marido foi morto prematuramente), Nísia foi uma mulher extraordinária, pois mesmo com os obstáculos impostos pela sociedade, não aceitou a submissão e a indiferença e, com muita determinação, expressou suas idéias progressistas, por meio de suas obras.

Notável educadora percebeu que o modo como se educava as crianças da época estava equivocado e prejudicava a aprendizagem dos alunos e a evolução da instituição educacional.

Na sua obra “Opúsculo Humanitário”, Nísia condena o método de ensino e o tratamento dado aos alunos nas escolas e as distorções presentes na educação das mulheres no Brasil e em outros países.

Provou ainda ser uma exímia empreendedora e administradora, ao fundar e dirigir instituições de ensino de alto nível, tais como um colégio para meninas, no Rio Grande do Sul, e os colégios Brasil e Augusto, no Rio de Janeiro.

Nísia mudou o mundo e foi uma das mais importantes brasileiras da história, pois lutou pelos direitos das mulheres, dos índios e negros, e contribuiu para a formação de um mundo menos desigual.

Se existissem algumas Nísia hoje, certamente haveria mais perspectivas de solução dos problemas que nos afligem. Afinal, as questões enfrentadas por ela no seu tempo (preconceito racial, injustiça e discriminação social, desrespeito aos direitos das mulheres, desprezo com a educação das crianças), infelizmente, são remanescentes nos dias atuais.

Nísia deixou seu nome marcado na história e hoje é um exemplo a ser seguido, como mulher e educadora. Alcançou um sucesso tão grande que Augusto Comte, o pai do Positivismo, foi um de seus admiradores.

Nísia foi um grande símbolo de idealismo, sentimento que projeta as pessoas ao futuro, numa viagem mental, e serve de propulsor para as descobertas, a superação de limites e a quebra de obstáculos. Esse idealismo fez com que ela brilhasse no seu tempo e se conectasse com um futuro possível, com menos injustiça e discriminação.

Vale ressaltar também que Nísia foi muito discriminada, pois seu comportamento fugia dos padrões da sociedade tradicional da sua época. Afinal, uma mulher com idéias tão arrojadas e inovadoras em pleno século XIX, logicamente, provocava muita polêmica e discriminação. Dessa forma, Nísia foi bastante perseguida e sofreu umas fortes campanhas difamatórias, fazendo com que ela resolvesse abandonar o Brasil e ir morar na Europa.

Em “Páginas de uma Vida Obscura” e “A Lágrima de um Caeté”, ela denuncia as injustiças praticadas contra os índios e negros que, mesmo em menor escala, continuam ocorrendo em pleno século XXI.

Nísia foi grande em tudo o que fez: como mulher, educadora, intelectual e escritora. Demonstrou virtudes (inteligência, idealismo, humanismo, poder de superação) que lhe proporcionaram um grande destaque no contexto histórico e cultural em que viveu e a fizeram merecedora de um espaço na história do Brasil e do mundo.

Certamente o mundo contemporâneo ressente-se de pessoas com a visão humanitária e o idealismo pressentes em Nísia Floresta, pois o que vemos é o aumento da violência e das injustiças sociais, que parece sem controle, e as perspectivas para o futuro são bastante sombrias.

Na minha próxima viagem a Natal, visitarei mais uma vez a cidade de Nísia Floresta. Só que, dessa vez, tudo terá um significado especial, pois saberei que, por aquelas ruas e praças, passou uma mulher lendária, inesquecível, que marcou o seu nome para sempre na história do nosso país e da humanidade.