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Nome: Débora Lorna Pereira dos santos Silveira Branco
Escola: Escola Estadual Tenente José Luciano
Cidade: Timóteo - MG
Categoria : Ensino Fundamental - 1ª a 4ª
Classificação : 2º lugar

Nísia Floresta – Uma Brasileira à Frente do Seu Tempo

Oi, eu sou a XXXXXXXXXX e tenho uma estória para contar a vocês sobre uma amiga minha a Dionísia (a Di), mas vocês a conhecem como Nísia Floresta. E tem também o Danilo (o Dan). Éramos inseparáveis e todos nos chamavam de 3 D, já imagina porque né!.

O Danilo era um pequeno gênio, adorava matemática e cálculos, vivia sempre inventando alguma coisa, como da vez que ele inventou um lápis que escrevia sozinho (enquanto o lápis escrevia ele podia pensar noutras coisas) já viu né não deu muito certo porque um lápis sem um bom cérebro para comandá-lo não faz nada direito. E assim, seguia o Dan com suas invenções. Ele dizia que seria um grande inventor como Léo (Leonardo da Vinci), nós riamos e dizíamos a ele que o Léo foi um grande pintor. O sonho do Dan era inventar uma máquina do tempo e ir visitar o Léo. Nós riamos e falávamos que era para ele nos levar juntos nessa viagem maluca.

Eu já pensava era em voltar mais alto, queria ser a primeira astronauta mulher a por os pés em outro planeta, ver a Terra lá de cima, andar na lua, ir a júpiter e ver as luas deste planeta bem de perto.

Já a Di era diferente ela se importava demais com as pessoas, com o preconceito existente, com a falta de condições para os mais pobres, a violência e principalmente como as mulheres era tratadas (dentro e fora de casa). Nós éramos crianças mas víamos o que acontecia ao nosso redor, como a Antônia que trabalhava fora e quando recebia tinha que entregar todo o salário para o Romualdo e ainda apanhava. A Di ficava triste e revoltada com isso e dizia que um dia faria alguma coisa para melhorar essa situação.

Foi aí que tudo aconteceu. O Dan passou a ficar menos tempo conosco e os pais da Di se separaram, foi cada um cuidar da sua vida e a deixaram com a avó Augusta (como ela chorava) eu estava preocupada com a situação da Di que teria que se mudar e com o sumiço do Dan.

Então numa terça-feira à noite o Dan reaparece e diz que precisa conversar conosco e lá vamos nós para o nosso lugar “secreto”. Chegando lá o Dan nos conta que tinha conseguido a sua tão sonhada “máquina do tempo” e que iria viajar nela para conhecer o Léo e se queríamos ir junto. A Di topou ir com ele, pelo menos ela iria se distrair da atual situação e eu disse que a minha família não me deixaria ir. Você precisa ver a cara que fizeram para mim! Então o Dan disse que ninguém poderia saber de nada (os adultos não compreenderiam).

Os dois combinaram de ir na noite seguinte. Quando nos separamos cada um tinha uma idéia diferente na cabeça (ah! Se eu soubesse a real intenção da Di eu iria impedi-la de ir — mas eu não sabia e quando soube era tarde demais).

Na noite seguinte quando cheguei onde estava a “máquina” eles estavam tirando par ou ímpar para saber quem iria primeiro (a Di não concordou em ser a primeira a ir como o Dan queria então o jeito foi tirar na sorte) e adivinha quem ganhou? Acertou. Foi a Di e ela escolheu ir depois do Dan. Ele não teve escolha e lhe ensinou como tinha de operar a máquina (marcar a data, o ano e local para onde se queira ir e apertar o botão verde. O Dan regulou a máquina para ir ao encontro do Léo e entrou no espaço reservado e a Di apertou o botão e ele sumiu no meio da fumaça. A Di mexeu na máquina novamente e me pediu para apertar o botão. Ela se despediu de mim com um forte abraço e disse que sentiria muito a minha falta e que sempre seríamos grandes amigas. Eu apertei o botão sem saber que não nos veríamos de novo mas que eu teria notícias dela isso eu teria. Quando fui colocar tudo no lugar vi o que a Di tinha feito, ela mudou a data e o local, eu fiquei desesperada e agora o que iria acontecer?

Lá estava a data 12 de outubro de 1810 – Papari – rio Grande do Norte - Brasil . O que fazer? Quando ela voltaria? O Dan eu sabia que dali a dez horas eu teria que voltar, ajustar a máquina e apertar o botão que ele estaria no lugar certo e então ele voltaria para casa, mas e a Di? Eu não sabia!

Eu não podia ficar mais tempo ali, então resolvi voltar para casa e esperar. Fechei tudo, apaguei as luzes e só então percebi algo no meu bolso; era um bilhete deixado pela Di onde dizia: Dé e Dan estou indo lutar pelo que acredito – a miséria e a violência não podem durar para sempre. Se não posso fazer nada agora (no tempo atual) vou começar mudando o passado para que as gerações futuras não sofram tanto.

Até um dia. Di ou Nísia Floresta Brasileira Augusta. P.S. gostaram do meu novo nome?

Eu não podia acreditar no que estava escrito, mas eu teria que esperar, até o Dan voltar. Na hora combinada eu cheguei para trazer o Dan de volta. Arrumei tudo, apertei o botão e nada aconteceu. Devo ter feito alguma coisa errada, olhei tudo novamente, e apertei o botão nada. Comecei a ficar com medo que o Dan não voltasse, então contei até 500 e tentei novamente e o Dan finalmente apareceu; ah! Como fiquei feliz e aliviada; nos abraçamos na maior alegria e o Dan tinha tanta coisa para contar, a primeira era que ele tinha perdido a hora para voltar (por isso não acontecia nada), mas eu tive que adiar as novidades para contar a ele o que a Di tinha feito (quando ela não apareceu onde ele estava ele pensou que ela tinha desistido de ir). Eu pedi a ele que fosse atrás dela e a trouxesse de volta, mas ele me disse que se ela não quisesse voltar nada a convenceria a mudar de idéia e segundo, a máquina não agüentaria outra viagem tão cedo. Não contamos nada a ninguém. Ficou como se a Di tivesse fugido de casa por causa da separação dos pais.

O tempo passou e nunca nos esquecemos dela. Um dia recebo uma visita em casa, era a Constância (Lima Duarte). A Constância estava escrevendo sobre a vida de Nísia Floresta e entre os documentos estava um caderno com uma escrita que ninguém conseguia decifrar e no cantinho de uma folha estava o meu nome e a cidade onde eu morava. Eu fiquei chorando (lá estava o nosso código secreto e aquela letra inconfundível) expliquei a Constância que era um código e só eu e o Dan sabíamos a chave para decifrá-lo. Ela me perguntou se eu poderia traduzir e então comecei a ler a história da Di para ela.

Dé e Dan estou morrendo de saudades de vocês então resolvi escrever este diário contando tudo e espero que algum dia vocês possam ler.

Estou vivendo com uma família aqui em Papari o Sr. Dionísio (coincidência? O mesmo nome do vovô da mamãe) e a Dª Antônia (outra coincidência???). A vida aqui é difícil e ao mesmo tempo não; estou aprendendo a viver em uma época diferente da nossa, com outros costumes e ensinamentos. O tempo está passando e eu estou crescendo.

Hoje estou me casando com o Manuel (acho que não vamos ficar muito tempo juntos – somos muito diferentes – é mais para cumprir uma formalidade desta época: 1823). Estou voltando pra casa.

Estamos nos mudando para Pernambuco, está difícil viver aqui.

Pai Dionísio foi assassinado (17/08/1828), há um vazio tão grande dentro de mim – é ficar órfã pela segunda vez. Eu me sinto sufocada com tanta coisa ruim acontecendo – a escravidão dos negros, a situação dos índios, a situação das mulheres (sei dos comentários que fazem a meu respeito, me chamam de tanta coisa só porque não aceito as coisas como elas são, eu quero mudar o mundo).

Estou morando com o Manuel Augusto (outro escândalo) e estou grávida. Lívia Augusta (augusta em homenagem à vovó) nasceu numa terça-feira (lembra de quando tudo começou? Quando o Dan nos falou na “máquina” era uma terça-feira). Foi o dia escolhido por Lívia para chegar a este mundo 12/01/1830.

Estou começando a escrever em um jornal o “Espelho das Brasileiras”, ainda é pouco mas é um começo. Aqui falo sobre as condições femininas (isto em 1831).

Vão publicar o meu primeiro livro que é uma tradução livre do livro de Mary Wallstonecraft – Direitos das Mulheres e Injustiças dos Homens (onde fala que as mulheres têm direito a alfabetização, ao trabalho digno; nós mulheres somos inteligentes sim e merecemos respeito; nós somos importantes). Escolhi um pseudônimo: Nísia (Dionísia é muito pesado); Floresta (lembranças de nossas brincadeiras em meia à mata Atlântica); Brasileira (amo meu pais apesar de tudo); Augusta (homenagem à vovó, a Lívia e ao Manuel Augusto).

Hoje nasceu o Augusto Américo (em pleno sábado) 12/01/1833.

Estamos indo embora para o Rio de Janeiro; Manuel morreu, as crianças estão muito pequenas ainda; não dá para viver neste lugar com a revolução Farroupilha. Quero criar um estabelecimento de ensino onde possa ser ensinado às crianças os valores como: educação da mulher e sua emancipação; a abolição da escravatura; a marginalização do índio, entre outros.

Estou escrevendo mais livros, mas a censura é tão grande, o preconceito maior ainda; às vezes penso em desistir e voltar para casa, mas então me lembro que a minha casa está tão longe, que não posso alcançá-la. Sinto muito a falta de vocês e lembro que preciso terminar o que comecei, quero um mundo melhor então nossas lembranças felizes me impulsionam para a frente.

Escrevi um livro pensando em você Dé e o dediquei à minha filha Lívia – Conselhos à Minha Filha. Ele está sendo publicado agora no aniversário de 12 anos dela – 1842 (como o tempo passa!)

02 de Novembro de 1849 – estou embarcando hoje para a Europa. Eu e as crianças vamos passar um tempo por lá. O livro que escrevi: A Lágrima de um Caeté (usando até mesmo outro pseudônimo) falando sobre o índio - como ele foi e está sendo tratado pelo homem branco – foi tão censurado pelo governo que resolvi sair daqui por uns tempos; só me atiram pedras; preciso pensar para continuar a lutar.

Estas são algumas das anotações do diário de Nísia Floresta que traduzi para a Constância. Algumas anotações, Constância utilizou em sua tese de Doutoramento em Literatura Brasileira, vindo mais tarde a virar um livro – Nísia Floresta-Vida e Obra.

Obrigada Constância pela homenagem a Nísia e por manter nosso segredo sobre a verdadeira origem dela. Para mim ela sempre será a Di que lutou muito para mostrar às pessoas o que estava acontecendo com a mulher, os índios, e os escravos, que não desistiu nunca, mesmo quando a difamaram e censuraram. Ela não se calou e até hoje ainda nos fala através dos seus livros. Esta é uma pequena parte da nossa Nísia Floresta. Uma brasileira à frente do seu tempo.