Um nacionalismo do tamanho do Brasil
Um traço marcante da personalidade de Nísia Floresta é seu nacionalismo, expresso em algumas de suas mais importantes obras.
Na Europa, ela fazia questão de afirmar sua origem, assinando muitos de seus artigos e livros publicados no Velho Continente como “Brasileira Augusta” ou, simplesmente, “Uma Brasileira”.

O Brasil dos tempos de Nísia Floresta e de hoje: a escritora vislumbrava para seu país um futuro grandioso; apesar de todos os contrastes sociais, o “gigante do porvir”, como ela o definia, pode se orgulhar atualmente de estar entre as maiores economias do mundo.
A escritora conheceu de perto todo o preconceito que existia sobre seu país, originários, principalmente, de relatos distorcidos elaborados por viajantes que para cá vieram, passando apenas curtos períodos.
Eram citadas, principalmente, as ruas sem calçamento do Rio de Janeiro, a iluminação precária e também a lama que escorria dos morros na capital do Império em dias de chuva.
No artigo “Passeio ao Aqueduto da Carioca”, publicado no jornal “O Brasil Ilustrado”, em 1855, Nísia Floresta convida o leitor a fazer com ela um percurso pelas ruas da cidade, criando uma narrativa que exaltava, um a um, os pontos mais atraentes da então capital do Brasil.
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No artigo “Passeio ao Aqueduto da Carioca”, de 1885, Nísia convida o leitor a conhecer as belezas do Rio de Janeiro, porém sem deixar de lado críticas à falta de saneamento básico
na capital do Império
e também à
escravidão. |
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Outra obra que compõe a face patriótica da escritora é o artigo “O Brasil”, que faz parte da coletânea “Cintilações de uma Alma Brasileira”, escrita originalmente em italiano, em 1858, e traduzida para o francês por sua filha, Lívia Augusta.
No texto, elaborado sob a forma de um diálogo entre ela e o leitor, são ressaltadas as belezas naturais do País, a gigantesca extensão de seu território, com sua costa banhada pelo Oceano Atlântico, e ainda fatos relevantes de sua história, tais como a Inconfidência Mineira, a Independência e as rebeliões nordestinas de 1817, 1824 e 1848.
"Entrada do Porto por Laranjeiras",
obra de William Gore Ouseley,
diplomata e pintor inglês que
também retratou o Brasil no século XIX.
Esse artigo é considerado por alguns estudiosos da literatura como a primeira obra brasileira escrita sistematicamente com propósitos ufanistas.
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