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DOS BASTIDORES DA SOCIEDADE PARA AS PÁGINAS DE NÍSIA
POR UMA EDUCAÇÃO IGUALITÁRIA
NO JORNAL DO COMÉRCIO, O ANÚNCIO DOS NOVOS TEMPOS
CONTRA A ESCRAVIDÃO
UM NACIONALISMO DO TAMANHO DO BRASIL
NÍSIA VIAJA PELA EUROPA E ATRAVÉS DOS SENTIMENTOS


O sofrimento do índio e a opressão do Império

Em 1847, era publicado “A Lágrima de um Caeté”, poema de Nísia Floresta que denunciava a opressão sofrida pelos índios brasileiros após a chegada dos portugueses, em 1500.

A escritora revelava assim mais uma face de seu pensamento contestatório: o indianismo.

Uma das principais características de “A Lágrima de um Caeté”, sob o ponto de vista da literatura, é seu rompimento com uma das características do Romantismo, que apresentava o índio sempre como herói.


Tela de Albert Eckout, de 1641:
Nísia Floresta não compartilhava
da imagem do índio completamente
pacífico, idealizado com base na
teoria do “bon sauvage”, ou bom
selvagem, do filósofo suíço
Jean-Jacques Rousseau.

 


Desse período, são famosos os personagens Peri, Jaguarê e Poti, que nasceram do nacionalismo exacerbado presente nas obras escritas após a Proclamação da Independência.

Era preciso criar uma identidade para o novo país, e o movimento romântico, com sua estética apoiada no amor à pátria e na valorização da imagem do índio guerreiro, forte e audacioso, dominava a produção artística brasileira de então.

Nísia Floresta vai contra essa visão, retratando um índio oprimido pelo branco invasor, inconformado com sua situação e, até mesmo, com desejo de vingança.

Esse perfil conflitava ainda com a descrição de uma raça pacífica e conivente com a colonização de suas terras, que, apesar de não corresponder exatamente ao “bon sauvage”, ou bom selvagem, idealizado por Jean-Jacques Rousseau, tinha origem na teoria do filósofo suíço.

  Não há registros da quantidade exata de nações indígenas que habitavam o Brasil antes da colonização portuguesa, apenas uma estimativa de que o número de índios chegava aos 10 milhões: hoje, não passa de 345 mil, representando apenas 0,2% da população do País.

“A Lágrima de um Caeté” chegou a merecer duas edições no ano de seu lançamento, mas tal sucesso talvez tenha tido origem mais na referência à Revolta Praieira, também descrita no livro, que na temática indígena.


 

Publicado em 1849, o poema
“A Lágrima de um Caeté” retrata
a opressão aos índios e a revolta
destes contra a colonização portuguesa.




Nísia Floresta escreveu e publicou o poema no calor dos acontecimentos, poucos meses depois de abafada a insurreição em Pernambuco.

Um de seus líderes, Nunes Machado, que havia sido colega de turma do companheiro da escritora, Manuel Augusto, na faculdade de Direito, foi assassinado pelas tropas imperiais de D. Pedro II.

Em sua narrativa, ela traça um paralelo entre a revolta dos nacionalistas contra a centralização do poder no Rio de Janeiro e a revolta dos índios contra a invasão portuguesa, ambas reprimidas com muita violência.

Há indícios de que Nísia Floresta tenha tido dificuldade para publicar esse livro, sofrendo censura.



Entre os maiores problemas enfrentados pelos índios no Brasil está a perda da própria
identidade: para garantir sua inserção na sociedade, um dos
principais caminhos é a educação, respeitando, contudo, suas raízes culturais.
 

Em certas partes, tem-se a impressão de que alguns trechos foram suprimidos.
Também, na introdução ao poema, a autora se refere às “mil torturas inquisitoriais” que quase o impediram de ser publicado.

E Nísia Floresta ainda assina o texto com o pseudônimo de Telesila, heroína grega que simboliza a luta contra os opressores.