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O SOFRIMENTO DO ÍNDIO E A OPRESSÃO DO IMPÉRIO
UM NACIONALISMO DO TAMANHO DO BRASIL
NÍSIA VIAJA PELA EUROPA E ATRAVÉS DOS SENTIMENTOS


Contra a escravidão

Ao lado de sua luta pela valorização das mulheres e por uma educação igualitária no Brasil, destaca-se ainda na obra de Nísia Floresta sua adesão à causa abolicionista.

Essa é uma das vertentes mais ressaltadas de seu pensamento.

Entretanto, pode-se observar uma evolução no discurso da escritora, se tomadas como base suas primeiras obras.

Nos livros “A Lágrima de um Caeté” e “Opúsculo Humanitário”, bem como nos artigos “Passeio ao Aqueduto da Carioca” e “Páginas de uma Vida Obscura”, que foram publicados na imprensa nas décadas de 1840 e 1850, ela insere a questão da escravidão chamando a atenção para o sofrimento do negro e para as práticas cruéis desempenhadas por alguns de seus senhores, um reflexo de sua postura humanista.

Argumenta ainda que as revoltas e fugas de cativos se deviam justamente ao tratamento abusivo que estes recebiam.

Escravos em tela de Johann-Moritz Rugendas: o Brasil foi a última nação do mundo a eliminar totalmente a escravidão, em 1888 – o Treze de Maio, data da assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel, é rejeitado pelos movimentos negros organizados do País, que preferem o Vinte de Novembro, quando morreu Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, por ter maior representatividade na história da luta contra a opressão sofrida pelos escravos..


Essa visão durante a primeira fase da obra de Nísia Floresta representa um avanço perante a sociedade de seu tempo e perante a Igreja.

Do ponto de vista católico, os africanos eram vistos, até meados do século XIX, como seres necessitados de salvação, uma vez que cultuavam deuses pagãos em seu continente de origem e viviam em guerra uns com os outros.

A escravidão era colocada, dessa forma, como um meio de ajudá-los, pois seria a penitência pelos pecados cometidos por seus antepassados, tornando-se assim, juntamente com a fé no Cristianismo, um caminho para a absolvição.

Tal teoria era compartilhada, ou pelo menos não contestada, por praticamente toda a elite intelectual brasileira da época, já que muitos de seus membros eram oriundos de famílias detentoras de escravos ou ligadas ao poder vigente.

 





Artigo sobre Nísia Floresta, publicado na Revista do Brasil, do Rio de Janeiro, em 1919.

Alguns biógrafos citam que Nísia Floresta teria proferido palestras no Rio de Janeiro, em 1849, em prol da causa abolicionista, ao mesmo tempo em que pedia também a proclamação da República, entretanto não há registros desse fato em nenhum jornal da época.

Mas, com a evolução das ideologias liberais no País, o combate ao vergonhoso regime brasileiro começa a ganhar força, e Nísia Floresta se tornaria, ao lado de outras mulheres – como a escritora negra maranhense Maria Firmina dos Reis –, uma das primeiras vozes femininas a lutar, efetivamente, contra a escravidão.

Sua crítica mais severa ao domínio de um ser humano sobre outro, em especial ao de brancos sobre negros, está no livro “Três Anos na Itália, Seguidos de uma Viagem à Grécia”, escrito originalmente em francês, com o título de “Trois Ans en Italie, Suivis d’un Voyage en Grèce”.
A tradução desse livro para o português só ocorreu mais de um século depois de sua primeira publicação.



A antropóloga e feminista Lélia Gonzáles, que na década de 1970 ajudou a fundar o Movimento Negro Unificado (MNU): no século XIX, além de Nísia Floresta e Maria Firmina dos Reis, outras mulheres se destacaram na luta abolicionista, como Ana Aurora do Amaral Lisboa, Benedita Bormann, Corina Coaracy, Chiquinha Gonzaga, Francisca Clotilde, Inês Sabino, Ismênia Santos, Leonor Porto, Luciana de Abreu, Luiza Regadas, Maria Amélia de Queiroz, Maria Josephina Mathilde Durocher, Maria Tomásia Figueira Lima, Narcisa Amália e Revocata de Melo, entre muitas outras.
 

Nísia Floresta estava vivendo na Europa havia 10 anos, e os movimentos internacionais de opinião contrária ao tráfico negreiro e aos cativeiros nas ex-colônias do Novo Mundo ganhavam destaque cada vez maior.

 

Calcula-se que até 1850 o Brasil tenha recebido cerca de 3,5 milhões de africanos cativos: hoje, os negros compõem boa parte da população do País, mas seu rendimento salarial médio ainda é 50% inferior ao da população considerada de cor branca.

Na obra, que trata da visita da escritora a dois dos mais importantes países europeus, em termos de cultura antiga, ela chega a se dirigir diretamente aos “homens brasileiros de bem”, pedindo que se pusesse fim à nefasta instituição da escravidão.


Ainda hoje, boa parcela dos negros
no Brasil vive nas favelas, uma
conseqüência da exclusão histórica
enfrentada por essa parcela da
população desde o fim do
regime escravocrata.