Os farrapos e a guerra no Sul
Com a eclosão da Guerra dos Farrapos, em 1838, que tinha como objetivo separar o Rio Grande do Sul do restante do Brasil, fundando um novo país, o clima na capital gaúcha, tomada pelos farrapos, torna-se hostil demais para uma família constituída só de mulheres e crianças.
Nessa época, Nísia Floresta já havia ficado viúva, com dois filhos pequenos, e decide então se mudar para o Rio de Janeiro, levando consigo a mãe e suas duas irmãs, que também viviam com ela.
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“Proclamação da República de Piratini”, pintada por Antônio Parreira, em 1836, retratando um dos fatos mais importantes da Guerra dos Farrapos: a rebelião apressa Nísia Floresta em sua mudança de Porto Alegre para o Rio de Janeiro. |
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Na capital do Império, ela funda o Colégio Augusto, para colocar em prática suas idéias acerca da educação feminina, contidas em seu primeiro livro, “Direitos das Mulheres e Injustiças dos Homens”, de 1832.
Alguns registros dão conta de que a escritora já exercia o magistério desde os tempos em que viveu em Olinda e em Porto Alegre.
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O Rio de Janeiro do século XIX: na capital do Império, em algumas ocasiões, as mulheres participavam da vida social da cidade, avanço que não era verificado quando se tratava da qualidade da educação destinada a elas. |
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Entretanto, as aulas que Nísia Floresta ministrava nesse período aconteciam em sua própria casa, uma prática comum no século XIX.
O Colégio Augusto está entre os primeiros que tiveram em seu comando uma pessoa de nacionalidade brasileira, pois em geral quem dirigia as instituições de ensino na cidade eram os estrangeiros, a maioria portugueses, franceses e ingleses.
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Fachada do Colégio
Augusto,
no Rio de
Janeiro,
que tinha sua
entrada principal
pela Rua do Paço. |
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Nísia Floresta pode ser considerada uma pioneira não apenas por esse fato, mas também, e principalmente, pela pedagogia que implantou.
Dois anos mais tarde, chega ao Rio de Janeiro o irmão caçula da escritora, Joaquim Pinto Brasil, que já havia se casado, inclusive sem a aprovação total da irmã, pois largara a faculdade de direito em função do casamento e do nascimento de seus primeiros filhos.
Mas, com muito esforço, Joaquim conseguira se formar em Olinda e não demorou em conseguir um emprego como professor.
Entretanto, não se adaptando ao clima da cidade, o irmão de Nísia Floresta muda-se novamente, indo morar em Resende, no interior da província, onde, assim como ela, decide fundar um colégio, que recebe o nome de Colégio Brasil.
Enquanto isso, a diretora do Colégio Augusto continuava a despertar a ira dos conservadores com seus métodos avançados, a dar palestras contra a escravidão e a favor da República e a escrever, principalmente escrever.
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