Começam as rebeliões
Em 1817, eclodem as primeiras rebeliões contra a Coroa Portuguesa no Brasil, inicialmente no Recife, capital de Pernambuco, espalhando-se depois por todo o Nordeste.
O pai de Nísia Floresta, que era português, começa a ser perseguido em Papari, pois todos os portugueses eram vistos como inimigos, principalmente pelo fato de haver um monopólio lusitano na economia local, incluindo a produção da cana-de-açúcar, realizada nos engenhos, e o comércio nas cidades.
A família sai então do Rio Grande do Norte e muda-se para Goiana, na época um importante pólo do interior de Pernambuco, bem mais desenvolvido economicamente.

Navio negreiro retratado pelo pintor alemão Johann-Moritz Rugendas: a abolição, apesar de não ser apoiada pela maioria dos insurgentes de 1817, cuja posição econômica e social tinha como base o sistema escravocrata, também fazia parte das bandeiras de luta da rebelião.
Goiana era também um avançado centro intelectual, de onde irradiavam os ideais liberais que estavam começando a tomar conta do pensamento da elite brasileira e que resultariam na Proclamação da República, em 1889.
Faz parte ainda da história do município o fato de ter sido a primeira localidade de Pernambuco a alforriar os escravos, antes mesmo da assinatura da Lei Áurea.
E foi nesse ambiente de efervescência cultural e de idéias de vanguarda que o lado contestador de Nísia Floresta começou a despertar.
Havia também em Goiana o Convento das Carmelitas, uma importante instituição de ensino que funcionava desde o século XVII, com uma vasta biblioteca.
É provável que ela tenha estudado nesse colégio, que ensinava às jovens abastadas da região línguas, trabalhos manuais e canto.
Logo, Nísia Floresta estaria dominando o francês e o italiano a ponto de ser considerada mestra, com capacidade para atuar no magistério.
Foi também durante essa fase da família que nasceu Joaquim Pinto Brasil, irmão caçula da escritora, ao qual ela sempre se referiu com muito carinho, em especial em seu último livro publicado em vida, “Fragmentos de uma Obra Inédita: Notas Biográficas”, de 1878.
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