Vida e obra de Monteiro Lobato
1945 – 1948
   
OS ÚLTIMOS TEMPOS
1945 - Lançamento de Nasino, edição italiana de Narizinho ilustrada por Vincenzo Nicoletti.

Janeiro de 1945 – Monteiro Lobato integra a delegação paulista do I Congresso Brasileiro de Escritores reunido em São Paulo. É divulgada, no encerramento, uma declaração de princípios exigindo "legalidade democrática como garantia da completa liberdade de expressão do pensamento" e redemocratização plena do país.

 

4/2/1945 – Churchill, Roosevelt e Stalin realizam a Conferência de Ialta: começa a Guerra Fria.

Março de 1945 – Após o longo período de isolamento imposto pela censura do Estado Novo, Lobato concede entrevista ao Diário de São Paulo, de grande repercussão.

Maio de 1945 - A menina do narizinho arrebitado é transformada em novela para crianças pela Rádio Globo no Rio de Janeiro.

18/5/1945 – Com a rendição dos alemães, a Segunda Guerra Mundial chega ao fim.

15/6/1945 - William Rex Crawford, adido cultural da embaixada americana no Rio de Janeiro, encaminha a Walt Disney sugestão de Luiz de Toledo Piza para que fossem incorporados temas e personagens da obra infantil de Lobato em futuras produções de seu estúdio.

23/6/1945 – Lobato participa da fundação e torna-se diretor do Instituto Cultural Brasil-URSS.

Convidado pelo Partido Comunista para fazer parte de sua chapa de candidatos às eleições gerais marcadas para dezembro, declina do convite.

27/6/1945 – Lobato assina contrato com a Editora Brasiliense para edição de suas Obras Completas.

Julho de 1945 – Detonada, em caráter experimental, a primeira bomba atômica no deserto do Novo México. No mês seguinte, americanos lançam duas bombas atômicas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki.

15/7/1945 – Recuperando-se de intervenção cirúrgica que retirou um quisto no pulmão, Monteiro Lobato envia discurso gravado de saudação a Luís Carlos Prestes para o comício realizado pelos comunistas no Estádio do Pacaembu, São Paulo.

Lobato acompanha o processo de redemocratização que sacudiu o país, culminando com o fim da ditadura do Estado Novo e a queda de Getulio Vargas em 29 de outubro, e mostra-se pessimista com a perspectiva da vitória de Dutra nas eleições.

1946 - Lançamento da primeira série (literatura geral) das Obras Completas pela Brasiliense, em 13 volumes. Na Argentina vem a público Las 12 hazañas de Hercules, pela Editorial Acteon.

1946 – Desenvolvido na Universidade da Pensilvânia o primeiro cérebro eletrônico, precursor dos computadores.

31/1/1946 – Eleito em 2/12/1945, o general Dutra toma posse na presidência da República.

  12/2/1946 – Lobato torna-se sócio da Editora Brasiliense, fundada em novembro de 1943 por Caio da Silva Prado, Leandro Dupré, Hermes Lima, Artur Neves e Caio Prado Júnior.

8/6/1946 – Atraído pelos belos e gordos bifes, pelo magnífico pão branco e fugindo da escassez que assolava o Brasil, conforme declarou à imprensa, Monteiro Lobato embarca para a Argentina.

18/9/1946 – Promulgada nova Constituição restabelecendo a independência dos três poderes e eleições diretas em todos os níveis.

3/10/1946 – Em Buenos Aires, Lobato funda, com Manuel Barreiro, Miguel Pilato e Ramón Prieto, a Editorial Acteon.

1947 – Primeiro vôo supersônico; intensificação da Guerra Fria; Plano Marshall para a reconstrução econômica da Europa.

1947 - Lançamento da segunda série (literatura infantil) das Obras Completas pela Brasiliense, com 17 volumes. Tradução: O problema econômico de Cuba. A Editorial Vitória lança Zé Brasil, em que Lobato, uma vez mais, reelabora seu personagem Jeca Tatu, transformando-o em trabalhador sem terra, esmagado pelo latifúndio.

A Editorial Codex, de Buenos Aires, lança uma série de livretos de armar, com textos de Lobato. Ilustrados por Eugenio Hirsch e Carmen Hidalgo, constituíram novidade na época. Pela Acteon seria publicado, sob o pseudônimo de Miguel P. Garcia, La nueva Argentina, sobre o plano qüinqüenal de Perón, e, através da Americalee, 23 títulos infantis, além de uma nova edição de Urupês, traduzida por Ramon Prieto e com selo da El Ateneo.

8/5/1947 – Monteiro Lobato volta ao Brasil. Em entrevista aos repórteres que o aguardavam no aeroporto classificaria o governo Dutra de "Estado Novíssimo, no qual a Constituição seria pendurada (suspensa) num ganchinho no quarto dos badulaques".

Diante da proibição das atividades do Partido Comunista em todo o país, determinada pelo ministro da Justiça, escreve para um comício de protesto a parábola do Rei Vesgo. Lido e aclamado pela multidão reunida no Vale do Anhangabau na noite de 18 de junho, o texto reflete o desencanto de Lobato com a democracia restritiva do general Dutra.

Agosto de 1947 - Muda-se para o apartamento cedido por Caio Prado Júnior, no último andar do prédio da Editora Brasiliense, na rua Barão de Itapetininga, centro de São Paulo.

Dezembro de 1947 - Vai a Salvador assistir a opereta Narizinho arrebitado, de Adroaldo Ribeiro da Costa. Lobato escreveria novo libreto para o espetáculo, considerado sua última criação infantil.

1948 - Participa da fundação da revista Fundamentos; publicados os folhetos De quem é o petróleo na Bahia e Georgismo e Comunismo.

1948 – Criação do Estado de Israel; primeira guerra árabe-israelense; formação da Organização dos Estados Americanos; invenção do transistor; revoluções comunistas na Checoslováquia, Polônia e Hungria.

2/7/1948 – Lobato concede a Murilo Antunes Alves, da Rádio Record, sua última entrevista.

4/7/1948 – O criador do Sítio do Picapau Amarelo morre às 4 horas da madrugada, vitimado por um derrame. Após velório na Biblioteca Municipal, seu corpo seguiu acompanhado por milhares de pessoas para o cemitério da Consolação, onde foi sepultado na quadra 25, terreno 2.