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“Foi através da leitura deste livro
[Geografia da Fome] que me tornei um militante das causas da população
(...) Muitos, também através da leitura de Josué
de Castro tornaram-se colegas de luta, companheiros de grande atividade
profissional. Para se dar uma dimensão maior, tenho a impressão
e não apenas aqui no Brasil, mas no mundo inteiro, esse livro foi
traduzido em 26 idiomas e de que “fez a cabeça” de
muita gente, revelando uma realidade, que até então, nunca
havia sido mostrada de forma tão dramática”. “Quero dizer, pois, que a sua palavra não
caiu em vão e se o lábaro que nos mostrou de certo modo,
neste país que fala em subnutrição, não fala
mais de fome, esse lábaro de certa forma, por muito tempo não
foi erguido, ou foi erguido de maneira equívoca para que justamente,
logo tivesse os frutos desejados ainda é tempo de retomar o caminho
que ele nos mostrou e de ganhar a batalha. “Josué de Castro foi um homem que
viveu um amor intenso por esse país. E a forma de mostrar esse
amor foi denunciar através da sua imensa capacidade, da sua enorme
compreensão social, a fome que sempre grafou nesse país
e que as elites descompromissadas com o que há de mais importante
no Brasil, sempre ignoraram e fizeram questão de ignorar e que
agora o destino está aí, exatamente mostrando e repetindo,
seguindo os passos de seu mestre e mostrando exatamente que a fome está
aí. No momento em que o país tem a 8ª ou 9ª economia
mundial, já teria condições de dar a essas pessoas
uma vida melhor, escola, cultura e sobretudo o que comer e nada se faz
de concreto. Um país rico, um país que tem as potencialidades
do Brasil e que hoje continua da mesma forma como Josué denunciou
e mostrou, analisou, pesquisou, continua ainda com essa enorme gama, com
esse enorme número de excluídos sociais”. “...a palavra proletariado, como indicador
de prole, de muitos filhos, para indicar as camadas mais pobres é
a indicação exata da tese de Josué, que nações
mais populosas do mundo não são pobres porque são
populosas ou porque têm fome, são populosas porque têm
fome e porque são pobres. A coragem de pensar isso diante do mundo,
a coragem de levantar essa tese, era alguma coisa de extraordinária,
que teria colocado qualquer pessoa tímida com certo receio. Eu
me lembro de muitos falsos cientistas, desses que só sabem ler
o já escrito, só sabem pensar o já pensado, a perplexidade
deles, e a raiva e o ódio de Josué, a perguntar, mas onde,
em que autor, onde, onde ele se baseia para dizer isso? (...) Josué
foi este homem, este pensador que nós tivemos, que nasceu entre
nós, que cresceu, que amadureceu aqui e que não foi um homem,
um intelectual, mais um dos que lêem o que os outros escreveram.
Foi o mais lido dos intelectuais brasileiros. Nenhum de nós conseguiu
publicar mais livros, em tantas edições, com tantas tiragens
como Josué”. “Josué fala de uma humanidade entregue
a instintos primitivos porque se de um lado se justificava, perfeitamente,
a falta de sono daqueles que não tinham alimento, de outro lado,
não se podia compreender a atitude impassível daqueles que
tendo sobra demais no seu bem estar, não desejavam atender e ajudar
a atenuar a situação de miséria daqueles que se achavam
dentro dos ¾ de famintos. E no mundo, hoje, sobram cada vez mais
as verbas para armamentos e cada vez minguam mais as verbas para a assistência
social. Enquanto homens do Nordeste se vêem obrigados a consumir
a sua dieta de lagartos e cobras, outros realizam banquetes requintados". “O PROF. JOSUÉ DE CASTRO bem poderia
ter dado ao seu livro de alcance mundial "Geopolítica da Fome",
o título de "Fome e Política" por que, nesta obra,
surgem perspectivas políticas de primeira grandeza. Mas, como salienta
o próprio Autor, sempre foi considerado pouco conveniente, entre
os povos bem alimentados, discutir-se a fome dos menos afortunados- fome
que nunca foi assunto muito popular em matéria de política.
E, no entanto, a fome tem sido, através dos tempos, a mais perigosa
das forças políticas. Foi a fome que precipitou a Revolução
Francesa. Uma multidão de mulheres dos cortiços de Paris
marchou até a sede do Parlamento, bradando por pão. Os políticos
fugiram. As mulheres, com suas hostes reforçadas pelos homens,
rumaram para a Bastilha. A queda da Bastilha foi o golpe de morte contra
o sistema feudal na França, iniciando uma nova era. Na atual crise
mundial, livro como a "Geopolítica da Fome" é
de vital importância. Se os políticos de todas as nações
do mundo pudessem esquecer por um momento os seus conflitos políticos
e lessem "Geopolítica da Fome", sem idéias preconcebidas,
adquiririam certamente uma visão mais sadia dos problemas universais
e teriam, assim, maior possibilidade de salvar nossa civilização
de perecer numa terceira guerra mundial”. "O livro de JOSUÉ DE CASTRO, em que
são estudadas, em seu quadro geográfico, as insuficiências
de alimentação dos grupos humanos vem, de certo modo, ao
encontro de várias ordens de preocupações. Primeiro,
uma angústia despertada em todas as almas pela lembrança
de misérias recentes e pela consciência que temos, agora,
de sua persistência em várias regiões. Depois, o sentimento
de uma contradição entre duas séries de fatos, o
crescimento demográfico atual da espécie humana e a possibilidade
de aceleração deste crescimento pela generalização
dos cuidados higiênicos, dum lado, e de outro lado, o balanço
dos recursos alimentares. A velha fórmula de Malthus já
não é aceitável, mas a inquietação
que a inspira ainda perdura. Enfim, os progressos da fisiologia da alimentação
orientaram para esses problemas todos aqueles que, a um título
ou outro, se têm interessado pela ecologia humana. Seja permitido
dizer que este é o meu caso. O movimento natural do pensamento
do ecologista o conduz para o estudo das condições de nutrição
dos grupos humanos no seu quadro geográfico, independentemente
de toda preocupação de atualidade". Diante de certos livros é que a gente vê
como é fácil e sem importância o ofício de
literato. Sim, são realmente os cientistas que nos botam complexo
de inferioridade. Porque afinal de contas fazer literatura não
é mais do que coisa gratuita e à toa, anotar impressões,
traduzir um estado de alma, ou relatar algum sucesso havido, sempre deformado.
Em suma: tudo improvisação, falsificação,
fingimento. "O prof. Josué de Castro enfrentou
justamente esse assunto tabu (Fome), difícil, negaceado, escondido
nos relatórios e coberto com os retalhos de sinônimos bonitos
como mentiras. É um sentimento primário que humilha a nossa
cultura de raciocínio. Não humilha a concepção
instintiva de civilização, mas os elementos formadores,
minando-lhes o interior com denúncia de uma desanimadora e diária
verdade natural." “Na verdade, Josué de Castro reunia
em uma só pessoa as qualidades da inteligência, da agilidade
mental, da argúcia na observação, e da coragem em
denunciar as injustiças e os dramas sociais, apontando suas causas
e alternativas para dominá-los e por fim às suas conseqüências.
Sendo médico de formação profissional, especializou-se
em fisiologia e dedicou-se a problemas de nutrição. A partir
de observações individuais de seus clientes, passou a procurar
uma dimensão social para o problema da alimentação
escrevendo um livro sobre a “Alimentação Brasileira
à Luz da Geografia Humana”. “A sociedade de opulência, em que nos
encontramos por direito ou como satélite, institucionalizou a fome.
Neste momento queria render minha homenagem e lembrança à
memória de Josué de Castro um brasileiro universal. Josué
de Castro, que foi Presidente do Conselho da FAO e o primeiro também
a prever os problemas que hoje enfrentamos. Josué de Castro sintetizou
sua análise sociológica e cultural em seu livro intitulado
“Geografia da Fome”, que depois de um quarto de século
continua atual, partindo de um modelo crítico da sociedade imperialista. “A notícia da morte súbita
de Josué de Castro, ocorrida em Paris, deixa consternada esta Universidade
que tinha nela um de seus mais talentosos mestres. “Fredéric Joliot Curie, grande sábio
e grande homem, falecido recentemente, costumava dizer, ao falar da América
Latina, ter lido nos últimos anos poucos livros tão importantes
quanto a “Geopolítica da Fome” e sua voz era veemente
ao fazer o elogio da obra e do autor. De Josué de Castro e de sua
obra de escritor e cientista, sobretudo da Geografia e da Geopolítica
da Fome ouvi falar, tanto em Paris, como em Moscou, tanto em Viena e Berlim,
quanto em Pequim e Ulan Bator, cidade encravada nas Montanhas da Mongólia.
Por toda parte onde se lê e onde o trabalho da inteligência
é respeitado e amado. "É este o mais encorajador, o mais
esperançoso e o mais generoso livro que eu já li em toda
a minha vida. Livro escrito por um famoso cientista, um técnico
que sabe o que está dizendo, um conhecedor dos problemas práticos,
um homem do mundo no melhor sentido da palavra, porque conhece o mundo
e suas populações e apresenta-nos numa obra magistralmente
escrita o conhecimento fundamental para felicidade e paz dos homens. “Quantos professores, jovens e militantes
do Brasil conhecem ou ouviram falar de nossos queridos Josué de
Castro, Paulo Freire, Darcy Ribeiro, João do Vale, Patativa do
Assaré, Câmara Cascudo, Caio Prado Junior, Nelson Wernek
Sodré e tantos outros. Josué de Castro disse Josué de Castro foi E nela não havia NADA |