| FOME - UMA CALAMIDADE SOCIAL A
condição de enormes contingentes humanos que se tornam improdutivos por
não conseguirem se alimentar adequadamente e não podem adquirir alimentos
por terem se tornado improdutivos é uma ameaça constante para toda a humanidade.
Josué de Castro buscou caminhos para romper este círculo vicioso e combateu
a indiferença daqueles que naturalizavam o fenômeno como uma catástrofe
inevitável.Josué combate a explicação da fome no mundo como efeito do crescimento demográfico. No século XVIII, o economista inglês Thomas Malthus formulou a hipótese de que enquanto as populações crescem em progressão geométrica, a produção de alimentos cresce em progressão aritmética, o que justificaria a necessidade de limitar o crescimento demográfico. Mesmo com estas previsões desmentidas pela história, muitos pensadores liberais do século XX adotaram o mesmo princípio fatalista para explicar a fome e justificar o controle de natalidade em países do terceiro mundo. "Os neomalthusianos, ao afirmarem que o mundo vive
faminto e está condenado a perecer numa epidemia total de fome porque
os homens não controlam de maneira adequada os nascimentos de novos seres
humanos, não fazem mais do que atribuir a culpa da fome aos próprios famintos".
Ao
contrário do que prega a doutrina malthusiana, Josué constata que a explosão
demográfica é um efeito da fome, e por esta razão uma característica de
países subdesenvolvidos. Observa que há uma correlação entre uma alimentação
pobre em proteínas e o aumento da taxa de natalidade. Trata-se de uma expressão
biológica de uma calamidade social. |