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Nome: Adriana Amorim Torres
Escola: Colégio Santo Antônio
Cidade: Belo Horizonte – MG
Professor: Não Houve
Categoria: Ensino Médio
Classificação: 3º lugar

JOSUÉ DE CASTRO: UM GRANDE BRASILEIRO

Josué de Castro foi um brasileiro que se tornou mundialmente conhecido por suas idéias, suas obras e pelas funções que desempenhou politicamente. Nascido em Recife em 1908, ganhou o mundo e é considerado hoje um grande brasileiro, cujas idéias se mantêm sempre atuais, uma vez que seu principal objetivo foi o combate à fome, um mal que assola, ainda hoje, milhões de pessoas no mundo todo. Formado em medicina, teve a oportunidade de aprender as manifestações biológicas da fome, no entanto, foi a visão política e econômica desse fenômeno que Josué de Castro tomou por base em seus trabalhos.
Iniciou sua carreira como médico aos 21 anos em Recife, mas teve participação expressiva na política como Deputado Federal pelo Estado de Pernambuco e Embaixador do Brasil na ONU, em Genebra, de 1962 a 1964, além de ter presidido o Conselho da Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO).
Josué de Castro promoveu um combate acirrado à fome, um assunto considerado tabu até então e que foi discutido abertamente por ele, e ao qual foram atribuídos fatores políticos e econômicos como causa. Segundo ele, a fome resulta não da falta de alimentos e sim da má distribuição deles: de nada adianta uma grande produção de alimentos se a população não tem poder de compra para adquiri-los.
O interesse de Josué de Castro pela fome é explicável, já que ele conviveu diretamente com o problema em sua terra natal. Ele disse que, quando pequeno, acreditava que a fome era um fenômeno apenas da região dos mangues, onde morava, mas que depois descobriu que, na verdade, ela ocorria em todo lugar e que os mangues eram ainda um lugar atrativo para pessoas que vinham de regiões onde havia mais fome. Essas pessoas estavam fugindo das condições climáticas desfavoráveis e da monocultura da cana-de-açúcar. Sua decepção deve ter sido ainda maior, quando percebeu que a fome era um fenômeno mundial, e pior ainda, que os culpados por ela eram os próprios homens.
Escreveu vários livros, um dos quais merece destaque, “Geografia da Fome”, publicado em 1946, famoso no mundo todo e já traduzido em 25 idiomas. Em seus livros, afirmava que existe a fome total, na qual o indivíduo é privado de alimento e vai definhando de maneira vertiginosa até morrer, e a fome parcial, um fenômeno muito mais freqüente, também conhecido como fome oculta, pela qual o indivíduo sofre de carência de elementos nutritivos e morre lentamente: fenômeno triste esse, que leva, dia após dia, o indivíduo à morte, apesar de comer todos os dias.
Uma das coisas que Josué sempre fez questão de mostrar é que a fome está estreitamente relacionada ao subdesenvolvimento, que ele definia não como uma ausência de desenvolvimento e sim como um subproduto do desenvolvimento mal conduzido e da exploração econômica que ele exerce sobre diversas regiões do mundo. Para Josué, os países subdesenvolvidos o são não por razões naturais, e sim por razões históricas, por força das circunstâncias: a exploração política e econômica do período colonial foi responsável pelo atraso da economia dos países de Terceiro Mundo, e a permanência dessa exploração até hoje, mantém esses países à margem da economia.
O desequilíbrio econômico e a desigualdade social dele resultante, na visão de Josué de Castro, são os responsáveis pelas tensões sociais que existem no mundo hoje. Os desníveis entre os países desenvolvidos e os subdesenvolvidos constituem uma ameaça para a paz mundial, e só poderão ser extintos a partir do momento em que os países desenvolvidos se interessarem pelos subdesenvolvidos de forma mais humana, buscando realmente ajudá-los, ao invés de quererem apenas explorá-los economicamente, o que faz com que esses desníveis entre eles se aprofundem cada vez mais.
Um idéia criticada por Josué foi a hipótese formulada pelo economista inglês Thomas Malthus, que afirmava ser a fome conseqüência direta do crescimento demográfico, uma vez que as populações crescem em progressão geométrica e a produção de alimentos em progressão aritmética. As idéias de Malthus foram desmentidas ao longo da história. Apesar disso, ainda existiram muitos pensadores liberais do século XX que adotaram essa ideologia e que são chamados neomalthusianos. Para eles, a resposta de Josué de Castro é bastante direta. Ele diz que dessa forma os neomalthusianos estariam atribuindo a culpa da fome aos próprios famintos, e completa dizendo que, na verdade, o que ocorre é exatamente o oposto. O acelerado crescimento demográfico não passa de uma conseqüência da fome, motivo pelo qual essa é uma característica dos países subdesenvolvidos.
Um conceito utilizado por Josué de Castro é o de ecologia, por meio do qual ele considera as ações e as reações dos seres vivos diante do meio e a influência que o homem exerce sobre o meio ambiente, assim como a influência do meio sobre o homem. Ele afirma que os problemas ecológicos que existem nos países subdesenvolvidos refletem a exploração dos países ricos e faz questão de frisar que não é contra o uso da tecnologia, mas defende uma tecnologia inteligente, que saiba preservar o meio ambiente.
Sem dúvida, as idéias de Josué de Castro eram bastante avançadas para a sua época, na qual o assunto fome não era abordado e muito antes pelo contrário, era silenciado e visto como um tabu. Também é inegável a sua importância para a difusão da gravidade desse problema e das verdadeiras causas que estão por trás dele. Dizer que Josué foi um grande brasileiro talvez seja pouco para dizer de um homem que mais do que tudo buscou divulgar e solucionar um problema que vem se agravando cada vez mais no Brasil e no mundo e que mata milhões de pessoas todos os anos. Porém, Josué de Castro pagou um preço muito alto por suas idéias revolucionárias: teve seus direitos políticos cassados no período do governo militar e foi obrigado a deixar o seu país de origem, o país que ele sempre defendeu e que fechou suas portas, simplesmente porque ele queria acabar com uma triste realidade, que infelizmente perdura até hoje.
Josué de Castro faleceu em Paris, em 24 de setembro de 1973, na esperança de voltar ao Brasil, terra que lhe deixou uma enorme saudade a ponto de afirmar que se morre também de saudade.