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Nome: Flaviano Augusto Barboza Borges
Escola: Colégio Nossa Senhora de Nazaré
Cidade: Conselheiro Lafaiete – MG
Professor: Não houve
Categoria: Ensino Fundamental – 5ª a 8ª série
Classificação: 2º lugar

Josué de Castro: Por um mundo sem fome

Menino pobre, de família humilde do mangue, sofre na carne e diante dos olhos, o flagelo da fome, que ainda assola nos tempos presentes a humanidade.
Em 1908, nascia em Recife, Pernambuco, um menino que tinha a visão do nosso futuro protegendo em sua memória presente, nos tempos passados. Um brasileiro sacrificado pelo destino cruel da sorte, como muitas famílias, sobrevivia de forma precária, nas manguezais de um bairro pobre, Capiberibe. Onde nos bairros miseráveis atolados na lama, homens e caranguejos se confundiam. Todos se arrastando, os caranguejos de forma a se esconder do homem submergidos na lama para captura-los, na ânsia de garantir sua sobrevivência.
Mesmo com toda essa vida miserável, castigada pela diferença econômica que gera o desequilíbrio do mundo, jamais deixara morrer suas idéias e seus ideais. Surgia então um grande homem, do meio do nada, Josué de Castro, do simples, do flagelo, tornou-se composto; fez de si uma celebridade, de tal forma que sua preocupação em combater a fome, é hoje um dos maiores problemas universais.
Médico, formou-se em 1929, pela Faculdade Nacional da Universidade do Brasil. Exerceu sua atividade, na área de Medicina, em Recife. Preocupa-se não somente com o estrago que a fome faz no corpo físico, mas principalmente com a ferida que jamais cicatriza na mente, no espírito de quem ela se apodera. É uma violência sem armas, mas irreparáveis, pois o ser humano sofre de dor da fome nociva, tão profundamente em sua personalidade, que corrói sem dó e sem piedade.
Sociólogo, conhecedor do objetivo da realidade social, tinha a metodologia de que a fome e os grandes problemas sociais deveriam ser mapeados.
Antropólogo, via-se que entre as raças humanas não havia distinção para a fome. Em todas está presente, como se fosse uma erva daninha muitas vezes o preconceito, a desigualdade do poder aquisitivo que gera essa mazela, essa injustiça, vem do próprio homem.
Filósofo, ao contrário da filosofia jamais foi excêntrico, nunca afastou-se do meio em que viveu sua infância. A fome como nos tempos de criança, tornou-se um quesito em sua memória, tinha a clarividência adquirida pela situação medíocre de sua vida nos bairros miseráveis do Recife, e sobretudo pelo estudo. É deixar o passado unir-se ao presente, juntando a outra parte que se projetará no futuro. O que hoje vemos com clareza e nitidez, a grande realidade da geografia da fome mapeada em nosso país e em todo o canto da terra.
José de Castro homem ilustre, foi professor Catedrático de:
• Geografia Humana – Faculdade de Filosofia de Ciências Social do Recife – 1933 à 1935.
• Antropologia – Universidade do Distrito Federal – 1935 a 1938.
• Geografia Humana – Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil – 1940 a 1964.

Realizou um ciclo de conferências nas universidades de Roma e Nápoles sobre a terra “Os Problemas de Aclimatação Humana nos trópicos – A convite do governo italiano – 1939, vários países como, Argentina – (1942), Estados Unidos (1943), Republica Dominicana (1945), México (1945), França (1947), foi o convidado oficial destes países, com a finalidade de estudar problemas de alimentação e nutrição.
Foi chefe da comissão que realizou o primeiro inquérito sobre as condições de vida das classes Operárias do Recife – 1933.
Em 1936, foi o membro da comissão de Inquérito para Estudo da Alimentação do Povo Brasileiro, realizado pelo Departamento Nacional de Saúde.
1937 – Detentor do Prêmio Pandiá Cológeras.
Idealizador, organizador e Diretor do Serviço Central de Alimentação – 1939 a 1941.
De 1942 a 1944, foi Presidente da Sociedade Brasileira de Alimentação.
Diante de sua enorme capacidade, foi designado, delegado do Brasil na “Conferência de Alimentação e Agricultura das Nações Unidas” – 1947.
Foi homenageado com várias premiações importantes como:
- José Veríssimo da Academia Brasileira de Letras, 1946.
- Roosevelt da Academia de Ciências Políticas dos EUA, 1952.
- Grande Medalha da cidade de Paris, 1953.
- Prêmio Internacional da Paz, 1954.
- Grande Cruz do Mérito Médico, Brasil.

Elegeu-se presidente do Comitê Governamental da Campanha de Luta contra a Fome, ONU, 1960. Foi membro do “Comitê Consultivo Permanente de Nutrição, 1947”.
Foi congratulado professor Honoris – causa da Universidade de Santo Domingo, República Dominicana – 1945, da Universidade de San, Marcos; Lima, 1950; da Universidade de Engenharia, Lima, 1965.
Presidente do Conselho da Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas, 1952 a 1956.
Presidente da Associação Mundial de Luta contra a fome (ASCOFAM).
No ano de 1955, na França, foi oficial da Legião de Honra.
Foi Deputado Federal pelo Estado de Pernambuco, 1954 a 1962.
Na Venezuela, em 1968, Josué de Castro, detentor da Ordem de Andrés Bello.
Fez parte de várias associações e academias no Brasil e exterior.
Fundou o Centro Internacional para o desenvolvimento, ao qual foi também, presidente – (cia) em Paris, 1965 a 1973.
Foi presidente da (AMIEV, 1970 – Associação Médica Internacional para o Estado e Condições de vida e saúde).
Escritor – com formação multidisciplinar, intelectual de raciocínio brilhante e inteligente, um dos brasileiros de maior importância em nosso território, escreveu vários livros: Geografia da fome (1946), Geopolítica da fome (1951), o livro negro da fome (1951), o livro negro da fome (1960) e o romance Homens e Caranguejos (1967).
Mas o que se destacou foi o livro “Geografia da fome”, o qual tornou-se conhecido e traduzido em 25 idiomas. Umas das grandes obras do escritor, que ficará eternizada do pós-guerra, iniciando as denúncias que fez em alerta a humanidade, sobre o flagelo da fome, que é geograficamente um problema universal.
Josué de Castro, dedicou sua vida ao estudo de caráter científico, sobre as causas e conseqüências da fome. Enfocou com cuidado a realidade da região nordestina do Brasil. Através do que passou, percebeu que o drama da fome, não estava apenas situada naquela região. Quando deixou sua terra, deparou com novas paisagens catastróficas, destroçadas pela fome. Percebeu que o mangue, não é nem o início, nem o meio, tão pouco o fim, mas faz parte do todo, onde o drama da fome se manifesta universal.
Onde o homem é massacrado, embutido pela ordem política e econômica. Aqueles que são seres heróis, responsáveis por toda riqueza do país, construindo-o com o suor de seus rostos e mãos calejadas, são oprimidos pela indignidade e injustiça, enumerados quase sempre com quantias irrisórias.
Josué de Castro, mostrou a realidade de nosso pais a quase um século, o problema da fome vem de longas jornadas. É um antigo problema que ainda nos tempos de hoje, onde a tecnologia, a globalização, e todo o avanço que teve o mundo, não superou o drama da fome. É porque talvez ainda não enfatizou que o problema da fome, não é a quantidade insuficiente de alimentos para suprir as necessidades da população e sim da divisão econômica, mais humana e justa, para adquirir estes alimentos.
Cientista, inteligentíssimo, não achava viável este modo de como a Reforma Agrária é feita. Simplesmente desapropriar e redistribuir a terra para atender os sem terra, sem dá-los a mínima condição de produzir, nem ao mesmo tempo para seu próprio sustento. Este método simples, não é a solução realista que resolverá a má distribuição da terra, aos problemas da economia agrária.
Compreende-se a reforma agrária, venha a ser um processo de revisão de direitos econômicos do ser humano, onde os donos das terras produtivas, como os que nela trabalham tenham direitos iguais, ou simplesmente mais justos, de forma que: os que trabalham em terras alheias, não sejam explorados pelos proprietários.
A conscientização e esclarecimento aos proprietários de terra, que a reforma agrária não irá tomar suas riquezas ou apoderar de seus bens; como ainda pela letargia de raciocínio em mente. Mas ao contrário, feita de forma justa e correta será benéfica para todos que usufruírem da exploração agrícola.
Josué de Castro, conceitua o desenvolvimento e subdesenvolvimento de maneira brilhante e interessante do ponto de vista de dois fatores:
1º) O mundo dos ricos – países bem desenvolvidos e industrializados.
2ª) O mundo dos pobres – países proletários e subdesenvolvidos, acúmulo de riqueza mal distribuída. Gerando assim a desigualdade social entre os povos conduzindo a num nível que se acentua cada vez mais, a violência, a revolta e intranqüilidade.
A instabilidade provocada por esse desequilíbrio econômico, traz consigo conflitos políticos e ideológicos; juntando lideranças com informações destorcidas e apoderando com invasão de propriedade particulares, como se isto resolvesse o problema daqueles menos favorecidos, colocando-os diante de acontecimento humilhante, conseguindo somente uma revolta psicológica diante do que gera fome no mundo.
Embaixador do Brasil na ONU, em Genebra, Josué de Castro, aos 56 anos, teve seus direitos políticos cassados. Exilado pelo movimento militar de 1964, escolheu a França, como sua nova casa, criou o Centro Internacional de Desenvolvimento e voltou a lecionar Geografia Humana. Faleceu em Paris em 24 de setembro de 1973.
Estamos precisando de políticos, líderes, com o mesmo engajamento de pensamento como de Josué de Castro. Um professor que ensina a lição para dar o primeiro passo de extinguir a fome no mundo. Conscientizar que é urgente restabelecer o equilíbrio econômico do mundo aterrando a lama que se separa os países subdesenvolvidos, para que haja realmente paz entre os homens.
Se não for possível termos dirigentes, com a mente brilhante como de Josué de Castro, que tenhamos políticos seguidores capazes de raciocinar suas idéias e colocar em prática seus ideais.