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Nome: José André da Silva Correia
Escola: Cônego Fernando Passos
Cidade: Limoeiro - PE
Professor: Leonilda Silva Farias
Categoria: Ensino Fundamental - 5ª a 8ª série
Classificação: 1º lugar

Josué de Castro e sua luta contra a Fome

Josué Apolônio de Castro nasceu em 5 de setembro de 1908, na cidade de Recife e fez seus primeiros estudos na sua terra natal, onde demonstrou, já em menino, rara inteligência. Seguiu para o Rio de Janeiro, onde formou-se em medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Foi também sociólogo, geógrafo e escritor. Estudioso renomado, homem de pulso firme e que sensibilizado com a miséria social, tornou o problema da fome a sua bandeira de luta.
Por ter vivido em uma época onde a repressão impedia a liberdade de expressar realidades tão caóticas e profundas, foi suficientemente corajoso para denunciar a fome, um drama universal que até então era abafado e escamoteado. Sua atitude desafiou e contrariou uma minoria privilegiada formada por alguns políticos e pela elite dominante, que tratavam da distribuição e do consumo de alimentos, não no que se diz respeito à saúde pública e sim aos seus interesses econômicos particulares. Falar da fome era um verdadeiro tabu.
Josué de Castro se interessou em estudar e solucionar o problema da fome, porque desde criança andava observando a vida da população dos manguezais recifenses que por não ter o que comer se via obrigado a consumir caranguejos para se alimentar. E como não tinha como sustentar suas crianças com alimentos nutritivos, davam para elas apenas caldo de caranguejo.
De início, Josué de Castro imaginava que o triste e lamentável cenário da fome era uma realidade local, apenas daquela população faminta e lameada dos mangues do Recife. Mas, depois percebeu que se comparando com outras áreas nordestinas, os mangues eram verdadeiros paraísos, pois neles pelo menos tinham caranguejos para alimentar parcialmente as pessoas que ali vivian, enquanto que nestas outras áreas, muitas pessoas eram desnutridas e algumas até morriam por causa da fome. É o caso das pessoas que vinham do sertão onde os solos inférteis e os baixos índices pluviométricos impossibilitavam a prática da agricultura. E os da zona da mata, onde os agricultores trabalhavam na monocultura canavieira. Algumas pessoas eram exploradas como escravos e outras recebiam salários baixíssimos que eram insuficientes para mantê-las bem alimentadas, já que não possuíam suas próprias terras para plantar e delas tirarem a subsistência da família.
A fome na verdade é ainda nos dias atuais um drama universal do qual nenhum país escapa, embora as nações subdesenvolvidas sofram muito mais que as nações desenvolvidas. Nos países desenvolvidos a fome e a subnutrição estão praticamente extintas. Apesar de abrigarem apenas cerca de 15% da população do planeta, esses países consomem me média mais de 60% da população mundial de alimentos.
De acordo com dados da ONU (Organização das Nações Unidas), existem mais de 800 milhões de pessoas passando fome e diariamente morrem aproximadamente 25 mil pessoas de inanição (estado de extrema fraqueza ocasionado pela fome). A FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação), calcula que há cerca de 500 milhões de pessoas em estado de subnutrição. Isso significa que essas pessoas não estão consumindo por dia, as 2.200 calorias necessárias à sobrevivência.
Em 2002 a produção mundial de cereais foi de 1,83 bilhões de toneladas; o que equivale a 300 Kg por pessoa ao ano, ou quase 1KG por dia para cada habitante do planeta.
Realmente, a fome está diretamente ligada com as disparidades econômicas, e não com a falta de produção de alimentos. Como dizia Gandhi: “a riqueza da terra é suficiente para todos, mas não para saciar a ganância dos poucos que dominam o mundo”.
Existem dois tipos de fome, a fome total e a fome parcial. A fome total é o fato de passar fome por não ter o que comer (a inanição), que está presente em locais de extrema miséria, como em algumas regiões da África e da América Latina. Já a fome parcial é bastante comum. Nela, pela falta de alguns nutrientes no regime alimentar, as pessoas ficam desnutridas, podendo chegar até a morte. A fome parcial pode acontecer por falta de dinheiro para comprar alguns alimentos nutritivos ou até porque determinados grupos humanos por não terem contato com outros povos, não possuem uma diversificação alimentar e se limitam aos alimentos encontrados na região onde vivem.
Josué de Castro defendia também a Reforma Agrária como uma das soluções de combate a fome. Porque há grandes latifúndios que são verdadeiras capitanias feudais praticamente improdutivas, enquanto há tantos trabalhadores precisando de terra para plantar e daí tirar seu sustento. Mas, às vezes a produção antieconômica e de subsistência dos minifúndios não dá para alimentar uma família. Na verdade, a reforma proposta não é a desapropriação ou apropriação de terras para atender os sem-terra. E sim, a revisão das relações mantidas entre os que possuem a propriedade agrícola e os agricultores que trabalham nela. Ou seja, os agricultores devem receber bons salários e não devem ser explorados pelo dono da propriedade. Podendo assim ter uma vida digna.
Josué de Castro recebeu convites oficiais do Governo de vários países para estudar neles os problemas de alimentação e nutrição. Entre eles estão: Argentina (1942), Estados Unidos (1943), República Dominicana (1945) e França (1947).
Como escritor, publicou as seguintes obras: “O Problema da Alimentação no Brasil”, “Alimentação e Raça”, “Documentários do Nordeste”, “Homens e Caranguejos”, “Geopolítica da Fome”, “Alimentação nos trópicos”, “Geografia da Fome”, livro de grande audácia, dentre outras obras.
Por tratar de um assunto tão delicado, Josué de Castro foi muito perseguido. Ele foi embaixador do Brasil na ONU, em Genebra de 1962 a 1964. Demitiu-se em 1964 devido ao golpe militar e teve seus direitos políticos caçados. Exilado, Josué de Castro recebeu convites para morar em vários países, porém escolheu a França para passar o resto de sua vida. Onde criou o Centro Internacional de Desenvolvimento e passou a lecionar Geografia Humana na Universidade de Paris até a sua morte, em 24 de setembro de 1973.
É muito importante conhecer a trajetória de vida desse ilustre brasileiro que com seu exemplo nos convida a uma mudança de mentalidade e comportamento pois, é preciso assumir uma atitude de repúdio e indignação perante o inconcebível quadro da miséria e da fome. Não podemos ser indiferentes com a dor do próximo. É preciso uma política pública capaz de mudar a triste realidade onde o modelo econômico mostre novos horizontes por ser menos concentrador. Precisamos despertar para a generosidade, para a partilha e para o amor.
A fome é uma mal que tem cura e com a sua erradicação teremos atingido o ideal de igualdade, cidadania e justiça.