Nome: Ricardo Miguel Lopes de Souza
Escola: Escola Classe 43 P Sul
Cidade: Ceilândia - DF
Professor: Socorro Rocha
Categoria: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª série
Classificação: 3º lugar
Josué de Castro: O Cientista da Fome
A vida de Josué de Castro foi, sem dúvida uma grande lição de engajamento em sua própria realidade, sua própria cultura. Procurou desde que se formou em Medicina, aos 21 anos de idade, desenvolver toda uma ciência, a partir do fenômeno do maior flagelo que a humanidade enfrenta até hoje: a fome. Durante a sua trajetória tanto criou uma teoria explicativa para a triste realidade do subdesenvolvimento, da pobreza e da miséria como tentou ao longo de sua vida modificar a história do seu país.
Nascido em 5 de setembro de 1908, em Recife, desde a sua infância ficava intrigado com a dificuldade enfrentada pelos trabalhadores do mangue. No início pensou que isso se dava apenas no lugar onde morava, mas logo se deu conta que o flagelo da fome se estendia pelo nordeste, pelo Brasil e pelo resto do mundo.
Desde que se formou, longa foi a jornada que o tornou conhecido mundialmente pelos seus livros, cargos que ocupou, funções que desempenhou, organismos que criou, aulas que ministrou, no Brasil e no exterior.
Ao descobrir a fome, Josué de Castro tentou encontrar métodos científicos capazes de analisa-la como um processo não natural. Ele entendia que a fome não é apenas um problema de produção insuficiente de alimentos, mas que diz respeito também ao poder de compra da população, que não é suficiente para adquirir uma alimentação de qualidade.
De acordo com suas concepções, a fome seria bastante diminuída se houvesse no nosso país uma reforma agrária, não como apenas distribuição de terras mas uma relação de respeito e igualdade tanto entre as que têm propriedade agrícola quanto entre os que trabalham nas atividades rurais.
Acreditava que esse subdesenvolvimento que existe no nosso país, no mundo, é fruto de uma concentração abusiva de renda, o que impede a expansão econômica, as mudanças sociais. Além disso, acreditava que o planejamento familiar, impedindo um crescimento demográfico desenfreado, seria um dos caminhos para amenizar a fome.
Preocupava-se também com o meio ambiente, pois os países subdesenvolvidos sofrem com uma tecnologia às vezes desenfreada, que traz sérios danos à natureza, fazendo do homem mero instrumento de produção.
Não por acaso esse homem foi indicado três vezes para o Prêmio Nobel, sendo duas para o Nobel da Paz e uma para o de Medicina.
Foi exilado pelo Regime Militar, indo morar na França. Faleceu em 24 de setembro de 1973. Sua história, sua luta certamente não foram em vão.
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