| A CASSAÇÃO Tendo
sido investigado pelo Departamento de Ordem Política e Social do
governo brasileiro desde a década de 40, Josué era caracterizado
nas fichas do DOPS como
subversivo, pelos encontros de que participava.O golpe militar de 1964 interrompe a carreira de Josué de Castro, então Embaixador do Brasil junto à ONU, silenciando sua voz política no País. Com o Ato Istitucional nº 1, de 9 de abril, são cassados os seus direitos políticos por dez anos. O combate à fome e a necessidade da reforma agrária eram temas inconvenientes para as forças conservadoras que promoveram o golpe.
No seu exílio
em Paris, apesar de sua contínua atividade, era visível a
sua crescente tristeza com o afastamento imposto pelo Regime Militar. Josué
Montello percebeu isto e registrou em seu livro de memórias a visão
de Josué de Castro nas ruas de Paris:"Nunca esquecerei o encontro que tive no Boulevard
Saint Germain, numa fria tarde de outono, por entre folhas caídas
e vento áspero, com Josué de Castro, de mãos enterradas
nos bolsos laterais do sobretudo, o passo vagaroso, o olhar ensimesmado
e distraído. Vinha vindo pela calçada fronteira, como se
não soubesse em que se ocupar na tarde cinzenta, longe de sua pátria,
longe de seus livros, longe de seus amigos. Para mim, que o conhecera
extrovertido e fluente, sua figura alta e triste impressionou. Dir-se-ia
que o exílio
tinha-lhe tocado a fonte da vida".
Em
Paris, falece no dia 24 de setembro de 1973. Com discurso do amigo Barbosa
Lima Sobrinho, seu corpo foi enterrado no cemitério São João
Batista, no Rio de Janeiro. Aos poucos o Brasil começa a resgatar
a obra do homem que ousou sonhar com um mundo onde não houvesse fome. |