Os modernos
antropologistas, através de múltiplas indagações
biológicas, chegaram à evidência de que os caracteres
de deficiência e de inferioridade de alguns povos, atribuídos
outrora a fatores étnicos, à fatalidade racial, são
apenas conseqüências diretas de más condições
higiênicas e principalmente de uma alimentação
má. É esse, precisamente, o nosso caso. Hoje ninguém
mais afirma conscientemente que a mestiçagem seja a verdadeira
causa da baixa vitalidade do nosso povo. O cruzamento do índio,
do negro e do português não gera, por fatal hereditariedade,
um mestiço débil, anêmico e raquítico.
Se a maioria dos mulatos se compõe de seres estiolados, com
deficit mental e incapacidade física, não é por
efeito duma tara racial, é por causa do estômago vazio.
Não é mal de raça, é mal de fome. É
a alimentação insuficiente que lhe não permite
um desenvolvimento completo e um funcionamento normal. Não
é a máquina que seja de ruim qualidade; e se o seu trabalho
rende pouco, ela estanca e pára a cada passo e se despedaça
cedo é por falta de combustível suficiente e adequado.
Daí a importância do estudo científico da alimentação
e o interesse dos verdadeiros sociólogos em conhecerem os hábitos
alimentares de cada povo, para melhor esclarecimento de sua formação
e evolução econômico-sociais. Também o
higienista não pode lançar as bases duma campanha eficaz
de melhoramentos sanitários do nosso meio, sem um conhecimento
perfeito das fontes locais de alimentação e, do seu
aproveitamento pelo povo. A Higiene tem que cotejar os seus dados
com os da Estatística e os da Economia Política para
apurar até onde lhe caberá remediar os erros duma alimentação
imprópria e insuficiente, cujas conseqüências são
as mais funestas para a coletividade.
OBJETO
Este trabalho visa, precisamente, a averiguar a alimentação
das classes assalariadas, aquelas que por suas condições
econômicas desfavoráveis e seu baixo nível intelectual
pior se alimentam, necessitando, portanto, de uma assistência
social urgente neste sentido, para que seja entravado o seu progressivo
estiolamento provocado por uma inanição crônica
e congênita, verdadeira fome tradicional.
Graças ao interesse manifestado pelo professor Décio
Parreiras, quando Diretor da Saúde Pública do Estado
de Pernambuco, por tão importante problema médico-social,
e ao seu eficiente apoio e colaboração, nos foi possível
elaborar este estudo, cujo mérito único reside no
propósito de revelar aos dirigentes do país e aos
interessados em conhecer nossas realidades sociais, como vive, ou
melhor, será dizer, como morre de fome a maioria de nossa
população. Pela leitura das conclusões a que
chegamos, temos de reconhecer a grande e crua verdade da expressiva
frase de Juan B. Justo de que – “atualmente já
não se pode assassinar o proletário, mas se pode legalmente
fazê-lo morrer de fome”.
CLASSES OPERÁRIAS
O estudo da distribuição das populações
em classes sociais e profissões feito à luz da demografia
é de capital importância para avaliação
da capacidade econômica de um povo. Porém as indicações
obtidas através desse estudo serão ainda mais úteis
e precisas, se cotejarmos os dados estatísticos e econômicos
de índole puramente social com os dados de indagação
biológica das classes sociais. Não basta saber a quantidade
de homens que produzem, mas também a sua qualidade. Pelo
conhecimento da densidade proporcional de nossas classes trabalhadoras,
de suas condições econômicas e também
dos seus caracteres biológicos gerais, índices antropométricos
e biométricos, teríamos um quadro explicativo de nossas
possibilidades econômicas e de nossa evolução
social. Seria uma tentativa de interpretação histórica
e econômica à luz da biossociologia.
Como as antigas aristocracias e o feudalismo impunham a existência
de servos e escravos, o regime capitalista atual implica na existência
de assalariados, encarregados dos trabalhos manuais em todos os
países. Na Europa, apareceu e desenvolveu-se, ao lado das
classes burguesas, o proletariado. Entre nós, com a abolição
da escravidão, novos elementos vieram se incorporar a esta
classe, que nos centros urbanos, com a industrialização
progressiva dos nossos dias, constitui o grosso da população.
Este trabalho indaga das condições de vida do operário
exclusivamente na área urbana, apurando o seu salário
médio, a distribuição proporcional dos seus
gastos e, particularmente, os gastos em alimentação
e sua composição média, habitual.
MÉTODO
Como campo de pesquisa procuramos determinar o standard de vida
das classes operárias da cidade do Recife, estabelecendo
os valores médios dos salários e dos custos de sua
subsistência. Apenas os salários em dinheiro não
dão nenhuma indicação precisa do nível
de vida, mas só em função dos preços
equivalentes em substâncias e artigos de necessidade. Sabido
quanto se ganha é preciso ver quanto se pode adquirir com
este ganho. Daí a noção em economia política
dos salários reais e salários nominais.
Por intermédio do Departamento de Saúde Pública
e sob nossa orientação, foi estabelecido um inquérito
entre as famílias operárias. Preenchidas as informações
por visitadoras dos vários centros de saúde, nos forneceram
estas a maior parte dos dados para levantamento da carta estatística
principal. Para melhor compreensão do método que utilizamos,
apresentamos, como exemplo, um dos inquéritos devidamente
preenchido:
QUADRO Nº 1
Estado de Pernambuco
DEPARTAMENTO DE SAÚDE PÚBLICA
Questionário sobre o custo de vida
Dirigido a Estanislau Augusto de MeIo – Profissão:
Operário. Residente à Ilha João de Barros,
28 – Estado civil: Viúvo. Com responsabilidade de cinco
pessoas, sendo 4 filhos (menores ). Percebendo salário diário
de 4$, com uma média mensal de 100$000.
Outras rendas: não.
Despesas obrigatórias
Alimentação Quantidade Réis
Carnes-verdes 0 $
Charque 250 grs. $600 diários
Bacalhau 0 $
Feijão 1/2 litro $300 diários
Farinha 1 litro $400 diários
Arroz 0 $
Milho 0 $
Leite 1 copo $200 diários
Açúcar 250 grs. $300 diários
Café 50 grs. $200 diários
Banha 0 $
Derivados de leite 0 $
Verduras 0 $
Frutas 0 $
Outros alimentos 3 pães $600 diários
Total 2$600 diários
Habitação Réis
Aluguel 10$300 mensal
Luz $100 diários
Carvão $200 diários
Água $100 diários
Total $730 diários
Vestuário Réis
Qual a despesa por semestre? 5$000
Outras despesas: não
Médias
S. A. C. 0
3$300 2$600 $700 0
INTERPRETAÇÃO DOS DADOS ESTATÍSTICOS
O inquérito foi procedido nos núcleos operários
da cidade, abrangendo três grandes zonas proletárias
– Torre, Encruzilhada e Santo Amaro – que para facilidade
de controle denominamos zona A, zona B e zona C:
CONDIÇÕES DE VIDA DA POPULAÇÃO
OPERÁRIA DO RECIFE
ZONAS Número de famílias recenseadas Número
de pessoas recenseadas Número de pessoas por família
Salários por dia Despesas por dia Balanço diário
PORCENTAGEM DE DESPESAS
Alimentação Habitação Água e
luz Várias
A 200 1.040 5.2 3$700 3$830 - $130 72% 12% 9% 7%
B 150 690 4.6 4$100 4$200 - $100 69% 11% 9% 11%
C 500 855 5.7 3$300 3$570 - $270 74% 6% 10% 10%
Médias: - - - 3$700 3$866 - $166 71.6% 9.6% 9.3% 9.3%
Pela leitura deste quadro são tiradas as seguintes conclusões
gerais: o trabalhador manual da cidade do Recife tem um salário
médio de 3$700, com o qual ele tem que subscrever as despesas
de sua família composta em média de 5,17 pessoas;
número de pessoas este um pouco mais elevado do que o universalmente
assente como standard (cinco pessoas).
Para sua manutenção, a família operária
despende em média 3$866, isto é, um pouco mais do
que ganha, donde o seu balanço deficitário e a sua
impossibilidade de economizar e melhorar sua condição
social. Este deficit permanente obriga o operário a viver
sempre devendo, sem saldar jamais os seus modestos compromissos,
contraídos à força da necessidade de viver.
As suas rendas não dando, assim, margem a nenhum luxo, são
desta forma estritamente empregadas em satisfazer as suas necessidades
básicas de vida: alimentação, abrigo e vestuário.
Verificamos que a quota alimentar abrange 71,6% das despesas totais,
com variações de 69 a 74%, de acordo com o tipo de
salários, sendo proporcionalmente tanto mais alta esta porcentagem
quanto mais ínfimo o salário. Os estudos oficiais
procedidos nos Estados Unidos estabeleceram que o operário
de salário mínimo deve despender 55% em sua alimentação.
Estatísticas argentinas, publicadas pelo Departamento Nacional
do Trabalho, indicam para o operário de Buenos Aires uma
quota alimentar de 52,7%. Donde se deduz ser, entre nós,
esta porcentagem de 71,6% excessivamente elevada, demonstrando que
os nossos salários estão muito abaixo do salário
mínimo.
ALIMENTAÇÃO
Analisando os inquéritos preenchidos, sobre a alimentação
de 500 famílias, apuramos o seguinte:
Alimentação Números de famílias consumidoras
Total %
Feijão 498 100
Farinha 500 100
Charque 497 100
Café 500 100
Açúcar 500 100
Pão 422 84
Carne-verde 163 32
Milho 124 25
Arroz 103 20
Leite 97 19
Derivados de leite 76 15
Verdura 91 18
Fruta 78 15
Banha 60 12
Bacalhau 20 4
Outros alimentos 84 16
Todas as famílias consomem, portanto, feijão, farinha,
charque, café e açúcar, e a maior parte delas
(81%) também consome pão. Todos os outros alimentos
são consumidos por um pequeno número de famílias,
sendo que o consumo de certos deles, dado o seu destacado valor
alimentar, merece uma atenção especial.
O leite entra no regime alimentar apenas em 19% das famílias
operárias e em quantidade mínima. De 500 famílias
recenseadas, só 97 compravam leite, num total de 26 litros,
e, no entanto, estas 500 famílias possuíam 976 filhos
menores, cabendo-lhes assim em média teórica para
alimentação de cada um, 26 gramas de leite por dia
(1). O uso de frutas e legumes ainda é mais raro (15 a 18%),
donde se chega à evidência de que 80% da nossa população
operária não consome nem leite nem frutas, nem verduras
e os 20% restantes consomem estas substâncias em quantidades
irrisórias. A alimentação habitual das massas
trabalhadoras reduz-se a feijão, farinha, charque, pão,
café e açúcar. Para avaliar o consumo quantitativo
basta consultar os preços desses gêneros alimentícios
no mercado e verificar que quantidade deles se pode adquirir com
2$760, que é a verba de que dispõe em média
cada família para alimentação, tendo também
em vista a proporção em que habitualmente entra cada
um deles no regime desta gente. Para nossos cálculos utilizamos
os preços dos gêneros alimentícios que nos forneceu
a Diretoria Geral de Estatística:
Preços dos principais gêneros alimentícios
em outubro de 1934
Mercadorias Quantidade Preços
Arroz comum 1 quilo $800
Açúcar de 1ª 1 quilo 1$000
Açúcar de 2ª 1 quilo $900
Bacalhau 1 quilo 2$800
Banha 1 quilo 2$400
Batata comum 1 quilo $700
Café moído 1 quilo 3$200
Carne charque 1 quilo 2$300
Carne-verde 1 quilo 1$700
Farinha comum 1 litro $300
Feijão mulatinho 1 litro $600
Leite de gado 1 litro 1$000
Milho 1 litro $300
Assim, determinaremos o regime alimentar habitual da família
operária, composta em média de 5,17 pessoas:
Regime alimentar habitual
Alimentos Quantidade Preços
Pão 300 grs. $600
Charque 300 grs. $700
Feijão 1 litro $600
Farinha 1 1/2 litro $300
Café 60 grs. $180
Açúcar 200 grs. $180
Total 2$560
Depende, assim, a família operária 2$560 para aquisição
de alimentos brutos, que somados com $200 de carvão para
seu preparo perfazem os 2$760, correspondente à verba de
alimentação. Para apurarmos o valor nutritivo desse
regime, calculamos a sua composição qualitativa e
seu valor energético, utilizando as tábuas de composição
dos alimentos brasileiros do Dr. Alfredo de Andrade:
Composição química do regime alimentar
Composição química
Substâncias alimentares Quantidades Albuminas H. de carbono
Gorduras Calorias
Pão 300 grs. 22,50 160,50 3,90
Acúcar 200 grs. - 190,00 -
Feijão 800 grs. 180,80 423,60 19,60
Farinha 1.000 grs. 9,00 829,10 1,90
Café 60 grs. 7,20 0,60 7,20
Charque 300 grs. 105,00 - 36,20
Total 2.660 grs. 324,50 1.603,80 68,80 8.545,87
Sendo este o regime habitual da família operária
é fácil deduzir o regime alimentar individual: cada
indivíduo se alimenta de 62 gramas de albumina, 310 gramas
de hidrato de carbono e 13 gramas de gordura, num total energético
de 1.646 calorias.
Qualquer pessoa que possua noções gerais de dietética
e diante de um regime desta ordem, só tem uma pergunta a
formular: “Como se pode comer assim e não morrer de
fome?” E só há uma resposta a dar, se bem que
um tanto desconcertante: “Como? Morrendo de fome”. Realmente
é esta alimentação insuficiente, carencial
e desarmônica, usada pelas classes operárias, na área
urbana, a causa principal do seu elevado índice de mortalidade.
CONCLUSÕES
Uma alimentação para ser racional necessita ser suficiente,
completa e harmônica.
Para ser suficiente deve fornecer toda a energia necessária
aos gastos fisiológicos do indivíduo; para ser completa
deve conter em determinadas quantidades – albuminas, hidratos
de carbono, gorduras, sais e vitaminas, indispensáveis ao
metabolismo orgânico. Um regime é considerado harmônico
quando os seus vários princípios alimentares se mantêm
em certas proporções mútuas, estabelecendo
o “Equilíbrio alimentar”. Façamos dentro
deste conceito uma análise do regime alimentar do operário:
Um trabalhador necessita em média de 3.000 a 4.000 calorias
diárias para suas despesas fundamentais e de trabalho. O
regime que analisamos, possuindo apenas 1.645 calorias, é
um regime insuficiente, que somente chega para cobrir os gastos
do metabolismo mínimo individual no nosso clima sem margem
para o gasto do trabalho . Sob o ponto de vista qualitativo, é
um regime incompleto porque possui albuminas, vitaminas e sais minerais
insuficientes. Sendo necessário pelo menos um grama de albumina
por quilo de peso do indivíduo, 62 gramas representam evidentemente
uma quantidade insuficiente, ainda mesmo porque 10% desta quota
se perdem nos resíduos da digestão. A carência
mineral é patente em cálcio e em ferro – tendo
apenas 0,400 do primeiro e 0,005 do segundo, quando um regime racional
deve conter pelo menos 0,800 de cálcio e 0,012 de ferro.
Por sua extrema pobreza, em frutas, legumes verdes, manteiga e azeite,
esse regime é também carencial em princípios
vitamínicos.
Dadas as proporções defeituosas entre os vários
princípios alimentares que o compõem, é também
um regime desarmônico. Destas desarmonias se destaca principalmente
o desequilíbrio entre o excesso de hidrocarbonados e a deficiência
de princípios de utilização nutritiva B, acarretando
este coeficiente anormal Vitaminas B/ glucides sérios distúrbios
funcionais.
Diante desta exposição fica evidenciada a péssima
qualidade da alimentação operária, sendo seu
regime impróprio sob todos os aspectos. Só há
uma maneira de alimentar-se pior do que esta: é não
comer nada. É por isto que esta gente não fala em
alimentar-se, mas em enganar a fome. Infelizmente a fome não
se deixa enganar, apenas ilude-se sua sensação consciente,
mas na intimidade profunda de cada célula perduram indefinidamente
os seus efeitos. Muito mais terrível do que um surto epidêmico
e do que o flagelo periódico das secas que dizimam de uma
vez algumas centenas ou milhares de vidas é esta desnutrição,
esta subalimentação permanente que destrói
surda e continuamente toda uma população, sem chamar
nossa atenção, nem despertar nossa piedade. Temos
uma documentação insofismável desse fato nos
aspectos demográficos da cidade do Recife.
A sua mortalidade total é notavelmente elevada e, no entanto,
ela possui, dentro dos moldes clássicos, instalações
higiênicas de primeira ordem. É que o fator primário
desta alta mortalidade é o estado de pobreza que condiciona
a fome coletiva.
QUADRO COMPARATIVO DA MORTALIDADE TOTAL
EM VÁRIAS CIDADES
Cidades Mortalidade por 1.000 habitantes
Recife 27,9
São Paulo 15,3
Rio de Janeiro 18,8
México 17,1
Paris 14,5
Londres 11,8
Nova York 17,1
O coeficiente de mortalidade do Recife é, assim, mais elevado
do que de todas as cidades do quadro acima. Consultando o quadro
estatístico das causa mortis verificamos que 18% da mortalidade
global é produzida pela tuberculose , que como assevera Escudero
“é uma doença da nutrição!”
Maior importância que o contágio tem o terreno, na
etiopatogenia da tuberculose, e a melhor maneira de tornar esse
terreno predisposto é alimentar mal o organismo.
A tuberculose é uma das maneiras disfarçadas de se
morrer de fome; fica-se tuberculoso procurando fugir à fome,
alimentando-se de si mesmo.
Os nossos coeficientes de mortalidade infantil constituem também
um índice eloqüente de nossa nutrição
deficiente:
Cidades Mortalidade de 0 a 1 ano por 1.000 da mortalidade total
Recife 259,9
Buenos Aires 145,2
Montevidéu 178,2
México 233,4
Rio de Janeiro 233,4
Finalmente, se apurarmos os coeficientes de mortalidade segundo
as idades, verificamos que 58% dos óbitos se dão antes
dos 30 anos – antes da maturidade – que é o período
da vida de maior rendimento e, portanto, de mais alto valor do capital
humano:
Cidades Mortalidade até 30 anos
Recife 58,0%
Londres 22,8%
Berlim 20,5%
Leningrado 56,5%
Buenos Aires 51,6%
Todos esses quadros evidenciam as condições inferiores
de nossa vitalidade e as possibilidades desfavoráveis de
nossa evolução demográfica. O Recife, sendo
a melhor cidade do Nordeste, o maior núcleo de população,
desfruta, naturalmente, sob vários aspectos, duma certa supremacia
econômico-social. Deduz-se, portanto, que estes dados estatísticos
apresentados serão ainda mais aterradores nos outros núcleos
de população da zona nordestina.
Toda a região do Nordeste, apesar de possuir um dos mais
altos coeficientes de natalidade do Brasil, mantém-se em
involução demográfica, diminuindo o seu volume
de população cerca de 5% de vinte em vinte anos em
relação à totalidade da população
brasileira. Devemos reconhecer que uma das causas desta involução
paradoxal é o centrifuguismo, é a emigração
interna, desta zona para os centros mais produtivos ao Sul do país.
Mas, uma outra causa não menos importante é a mortalidade
elevada, a pouca vida da gente nordestina – fatos indiscutivelmente
presos às suas condições de nutrição
desfavoráveis.
Por este estado de coisas, vê-se quanto é urgente a
organização de um plano de combate à má
alimentação que possa minorar os seus malefícios,
produto de nossa defeituosa organização econômico-social
e da orientação unilateral que até hoje se
tem dado, entre nós, aos objetivos da higiene pública.
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