Júlia Kubitschek


Nascida em 1873, Júlia Kubitschek casou-se tarde para uma moça de sua época: tinha já 24 anos de idade. Em matéria de temperamento, a terceira filha de Augusto Elias era o avesso do noivo, o exuberante João César de Oliveira. Era "toda concentração e modéstia", no dizer de Francisco de Assis Barbosa.

Nonô, em 1916, ladeado pela amiga Dolores e pelo menino Milton. Sentada, a sua irmã Naná Formada na Escola Normal da cidade, cobria a pé os quase dez quilômetros entre Diamantina e o grupo escolar onde lecionava. Só em 1907 conseguiu ser transferida para uma escola na cidade. Casada, insistiu em continuar trabalhando – embora logo tivesse três filhos sob seus cuidados: Eufrosina, nascida em 1900 e morta meses depois; Maria da Conceição, a Naná, de 1901; e Juscelino, o Nonô, de 1902.

Viúva, teve redobrada a sua trabalheira. "Se já não éramos ricos, com a morte do meu pai tornamo-nos ainda mais pobres", escreverá o filho, que só aos doze anos pôde calçar um sapato pela primeira vez.

Juscelino com d. Júlia, sua mãe As dificuldades certamente contribuíram para endurecer a já reservada Júlia Kubitschek. "Um severo pragmatismo orientava seus atos", conta Affonso Heliodoro no livro JK –Exemplo e desafio. "Seus gestos eram comedidos e suas exteriorizações sentimentais raríssimas e discretas. Nunca beijava os filhos nem lhes fazia carinhos desnecessários. Eles, os filhos, é que, adultos, a beijavam. Mas ela fingia não estar percebendo a carícia do beijo e o carinho do gesto."

Júlia Kubitschek morreu em 1971, já próxima de completar cem anos, felizmente sem dar-se conta do imenso sofrimento por que passou o seu Nonô a partir do golpe militar de 1964.