Aragarças repete Jacareacanga


Repeteco do levante de Jacareacanga, o de Aragarças, em dezembro de 1959, teve duas motivações. Uma delas foi uma falseta de Jânio Quadros, que renunciou à sua candidatura à presidência da República – decepcionando, assim, militares e civis de direita. Outra foi a suspeita de que houvesse um golpe de esquerda em marcha, sob o comando de Leonel Brizola, a ser desencadeado a 15 de dezembro.

Avião utilizado no levante de Aragarças, dezembro de 1959 Foi o que bastou para que, na noite do dia 2, oito oficiais armados se apoderassem de três aviões C-47 na base aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, e voassem para Aragarças, às margens do rio Araguaia, em Goiás. Para lá foi levado também um avião de passageiros, desviado de sua rota em pleno vôo, no primeiro seqüestro da história da aviação. Além dos passageiros, havia um morto a bordo.

Um dos sediciosos era um veterano de Jacareacanga, o tenente-coronel-aviador Haroldo Veloso. Outro era o oficial de mesma patente João Paulo Burnier – um radical que, ao contrário de Veloso, atravessaria os 21 anos do regime militar de 1964 como ultradireitista, adepto do emprego de meios violentos contra os adversários. Em 1959, queria bombardear os palácios do Catete e das Laranjeiras, o que por pouco não aconteceu. Em 1968, no clima de radicalização ideológica que levaria, em dezembro, à edição do AI-5, planejou pelo menos um atentado terrorista, cuja autoria pretendia atribuir à esquerda.

O levante de Aragarças deu em nada, extinguiu-se sozinho em apenas dois dias, por falta de meios e porque Jânio voltou atrás, renunciando à renúncia. Da Bolívia, onde se refugiara, Burnier anunciou que os objetivos do movimento haviam sido alcançados.

Uma vez mais, JK anistiou os revoltosos.