O TEMPO DA AMARGURA (1961-1976)

A única derrota nas urnas


No final da vida, JK quis ingressar na Academia Brasileira de Letras, que é aberta não apenas a escritores, mas também a expoentes da vida nacional.

Os militares não gostaram – e pressionaram o presidente da entidade, Austregésilo de Athayde, para impor a Juscelino o que seria a sua única derrota eleitoral em toda a vida.

A Academia tinha pedido financiamento oficial para construir um edifício ao lado de sua sede, no centro do Rio – em terreno, aliás, doado por JK quando presidente. Se ele fosse eleito, o financiamento não sairia.

Apesar das pressões, sondagens indicavam que poderia ganhar. No dia 23 de outubro de 1975, porém, Juscelino perdeu a disputa para o escritor goiano Bernardo Élis, por vinte votos a dezoito. Recebeu a notícia na casa da filha Maria Estela, onde havia uma festa preparada. "Vamos virar essa página", disse ele, e saiu dançando com a filha.

Depois comentaria: "Me venderam por um bloco de cimento". E anotou em seu diário: "Estou pulverizado por dentro. Pus muita fé na minha eleição. Desejava-a ardentemente, o prestígio que compensasse os imensos dissabores de 1964. [...] Nunca imaginei que a derrota pudesse me ferir tanto".

Dias depois, Athayde convidou JK para um almoço e tentou lhe explicar o que ocorrera. JK não deixou. "Presidente", cortou ele, "sou entendido em matéria de eleições. Quando se perde, não se deve perguntar por quê".

JK é homenageado ao receber o troféu Juca Pato. São Paulo, 18/6/1976 Elegante, fez questão de comparecer à posse de Élis e apertar-lhe a mão.

JK pertenceu, desde 1974, à Academia Mineira de Letras, e em 1976 recebeu da União Brasileira de Escritores o troféu Juca Pato, como o intelectual do ano de 1975.