O TEMPO DA AMARGURA (1961-1976)

O político vira empresário


Ao contrário do que diziam seus adversários, Juscelino Kubitschek não dispunha de fortuna que lhe permitisse viver sem trabalhar. Por essa razão, na volta do exílio, em 1967, foi convidado pelos genros, Baldomero Barbará Neto e Rodrigo Pádua Lopes, donos de uma corretora de valores, para se juntar a eles na formação de um banco de investimentos.

JK no banco de investimentos Denasa Diretor-presidente, JK não teria, no Denasa – Desenvolvimento Nacional Sociedade Anônima –, uma função meramente decorativa. Seu prestígio assegurou bons negócios ao banco até 1975, quando, com a tumultuada separação da filha Márcia, viu-se forçado a abandonar a sociedade.

Por oferecimento do amigo Adolfo Bloch, Juscelino começou então a dar expediente no edifício da Manchete, na praia do Russel, no Rio. Com a assistência do escritor Carlos Heitor Cony, trabalhou ali em alguns de seus livros de memórias. A pedido de Bloch, escrevia resenhas de livros para a revista Manchete. Na viagem em que perdeu a vida, levava consigo um exemplar de Ó Jerusalém!, de Larry Collins e Dominique Lapierre, que estava lendo para redigir um desses artigos.