O TEMPO DA AMARGURA (1961-1976)

O golpe de 1964


Comício da Central do Brasil, 13/3/1964 A 13 de março de 1964, no Rio, o presidente João Goulart falou à multidão num comício gigantesco – o "comício da Central da Brasil", como ficou conhecido –, anunciando medidas para concretizar as "reformas de base". A resposta de seus adversários, dias depois, foi uma caudalosa Marcha da Família com Deus pela Liberdade, em São Paulo.

Deslocamento de tropas mineiras para o Rio de Janeiro, 1/4/1964 A derrocada do governo rapidamente tornou-se inevitável – e a 31 de março o comandante da IV Região Militar, general Olímpio Mourão Filho, em Juiz de Fora, pôs suas tropas em marcha rumo ao Rio de Janeiro.

Também em Minas, o governador Magalhães Pinto assumia a liderança civil do movimento. Na tarde daquele dia, o ex-presidente Juscelino Kubitschek levou a Goulart, no Palácio das Laranjeiras, um tardio e inútil apelo para que desautorizasse os radicais de seu governo e tranqüilizasse as Forças Armadas, nomeando um ministério conservador e punindo os militares que haviam quebrado a hierarquia.

O decantado dispositivo militar de Jango, cuja base seria o I Exército, no Rio de Janeiro, não funcionou, e o Ministério da Guerra foi tomado pelo general Artur da Costa e Silva. Na manhã de 1o de abril o presidente voou do Rio para Brasília, e dali para Porto Alegre, de onde seguiria, no dia 4, para um exílio sem fim no Uruguai e na Argentina. Ainda estava no Brasil quando, na madrugada de 2 de abril, o presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, declarou vaga a presidência da República e deu posse ao deputado Ranieri Mazzilli.

Editado logo em seguida, o Ato Institucional no 1 da junta que sucedeu a Mazzilli manteve as eleições previstas para 3 de outubro de 1965, mas suspendeu por seis meses as garantias constitucionais e legais de vitaliciedade e estabilidade. "No interesse da paz e da honra nacional", enunciava o texto, "e sem as limitações previstas na Constituição, os comandantes-em-chefe que editam o presente ato poderão suspender os direitos políticos pelo prazo de dez anos e cassar mandatos legislativos federais, estaduais e municipais, excluída a apreciação judicial desses atos."