O TEMPO DA AMARGURA (1961-1976)

O fazendeiro JK


No dia em que deixou a presidência da República, jornalistas perguntaram a JK que planos tinha ele para o futuro. "Vou ser fazendeiro", respondeu.

Juscelino Kubitschek na sua fazenda em Luziânia (GO), 21/6/1976 O projeto haveria de realizar-se no final da vida, em 1972, quando Juscelino levantou empréstimos e comprou uma pequena propriedade – 310 alqueires mineiros –, a Fazenda JK, a dezoito quilômetros de Luziânia e 67 de Brasília.

Construiu ali uma casa com projeto de Oscar Niemeyer e uma capela copiando a do Palácio da Alvorada. Plantou soja e milho, além de café, cuja primeira colheita não chegaria a ver.

Passava lá temporadas cada vez maiores. "Há quase um mês estou na minha solidão da Fazenda JK", escreveu ele a sua amiga Vera Brant no dia 8 de agosto de 1976, duas semanas exatas antes de morrer. "Recolho-me à rede da varanda, afino os ouvidos pelo silêncio das quebradas e leio."

Tinha com a sua propriedade uma relação de amor e desgosto. "A Fazenda JK está envenenando a minha vida", anotou em seu diário em dezembro de 1974. "Continuo?" Continuou, até o fim.

Depois de sua morte, a Fazenda JK foi vendida.