O TEMPO DA AMARGURA (1961-1976)

JK no exílio


"Deixo o Brasil porque esta é a melhor forma de exprimir meu protesto contra a violência", declarou JK ao partir para o exílio, a 13 de junho de 1964. Durante quase mil dias, viveria em Paris, Lisboa e Nova York.

JK no exílio em  Paris Na capital francesa, o ex-presidente morou num apartamento de dois quartos e teve uma cozinheira portuguesa que parecia ter sido escolhida pelo nome: Diamantina. Sem motorista, dirigia ele mesmo o seu carrinho, um castigado Simca, pelas ruas de Paris. Para pagar as contas, envolveu-se em atividades empresariais em Lisboa; nos Estados Unidos, aceitava convites para fazer palestras.

Em nenhum lugar sentiu-se feliz, à vontade. "Não posso deixar de confessar que viver fora do país, sem saber quando será possível o regresso, é o castigo mais cruel imposto a um homem que só pensava no Brasil", escreveu a um amigo nos primeiros tempos do exílio.

Tinha medo de morrer longe da pátria. Mas dizia não querer voltar durante o governo de Castelo Branco – o "Monstro", rotulava –, que lhe cassara o mandato e suspendera os direitos políticos.

Seu exílio (mas não seu calvário) acabou a 9 de abril de 1967, já no governo Costa e Silva. Ao desembarcar no Rio, disse que só morto deixaria o país outra vez.