O TEMPO DA AMARGURA (1961-1976)

No enterro: "O povo leva!"


Cortejo fúnebre de JK a caminho do Aeroporto Santos Dumont (RJ). À frente, d. Sarah e suas filhas Transportado para o Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro, o corpo de Juscelino Kubitschek foi em seguida velado no saguão do edifício da revista Manchete, na praia do Russel, pelo qual, durante toda a manhã de 23 de agosto, desfilaram milhares de pessoas.

Funerais de JK na catedral de Brasília Às quatro da tarde, o caixão desembarcava em Brasília, onde, depois de alguma hesitação, o governo do general Ernesto Geisel decretou luto oficial – o primeiro em honra de um adversário do regime militar. O velório iniciado no Rio prosseguiu na catedral metropolitana.

Após emocionada missa de corpo presente, os bombeiros tiveram dificuldade para colocar a urna na carreta que a conduziria ao Campo da Esperança, o cemitério de Brasília. Em mais de uma ocasião a multidão tomou-a nas mãos, aos gritos de "o povo leva! O povo leva!".

Povo acompanha o cortejo fúnebre de JK para o cemitério de Brasília O cortejo se arrastou por quatro horas, e já eram 23h35 quando o corpo do ex-presidente finalmente baixou à sepultura, debaixo de um coro em que "Viva JK!" e "Viva a democracia!" se alternavam com as estrofes de "Peixe vivo", a canção preferida de Juscelino, cantadas pela multidão. O adeus a Juscelino Kubitschek - Reportagem da Rádio Jovem Pan no enterro de JK (arquivo RealAudio)

O túmulo, a poucos metros do de um dos pioneiros da nova capital, o engenheiro Bernardo Sayão, foi projetado por Oscar Niemeyer, com revestimento de mármore de Carrara que sobrou da construção da catedral metropolitana.

Ali o ex-presidente foi reverenciado até 12 de setembro de 1981 – data em que completaria 79 anos de idade –, quando seus restos foram transportados para o recém-construído Memorial JK, também projeto de Niemeyer, erguido no ponto mais alto da cidade, o Cruzeiro, o lugar onde a 3 de maio de 1957 se rezou a primeira missa de Brasília.