O TEMPO DA AMARGURA (1961-1976)

Duros interrogatórios


JK e d. Sarah desembarcam no Rio de Janeiro, 4/10/1965 JK veio ao Brasil duas vezes durante o exílio. Na primeira, dia 4 de outubro de 1965, duas intimações para depor em inquéritos policiais militares o esperavam no pé da escada do avião, no aeroporto do Rio de Janeiro.

JK após prestar depoimento em inquérito policial militar. Rio de Janeiro, 4/10/1965 Havia um motivo adicional para as perseguições que passou a sofrer: nas eleições do dia 3, Francisco Negrão de Lima e Israel Pinheiro, que tinham o apoio de JK, se elegeram para os governos da Guanabara e de Minas Gerais, respectivamente. Para irritação dos militares, o ex-presidente foi recebido, no Rio, com grandes manifestações populares de carinho.

Era acusado de ligação com os comunistas e de corrupção – havia quem dissesse que ele era dono da sétima fortuna do mundo. "Esta revolução foi feita contra João Goulart, mas 72 horas depois ela se voltou contra mim", costumava dizer JK ao editor Adolfo Bloch, seu amigo.

Em menos de duas semanas, o ex-presidente passaria sessenta horas em extenuantes interrogatórios que chegaram a durar nove horas. Foi nessa ocasião que a sua saúde começou a fraquejar.

Juscelino Kubitschek no enterro de sua irmã Naná em Belo Horizonte, 10/6/1966 Juscelino deixou o país novamente no dia 9 de novembro. A 9 de junho de 1966, quando morreu sua irmã, Naná, ele precisou de autorização do governo militar para assistir ao enterro, em Belo Horizonte. Foi proibido de dar declarações e de receber manifestações, e apenas três dias depois teve que tomar o avião de volta para Nova York.