O TEMPO DA AMARGURA (1961-1976)

A Crise da Legalidade


Com a renúncia de Jânio, deveria assumir o vice, João Goulart, que naquele agosto de 1961 viajava pela China com uma delegação comercial do Brasil. Na sua ausência, empossou-se o substituto legal – o presidente da Câmara, deputado Pascoal Ranieri Mazzilli.

No dia 30, os três ministros militares – vice-almirante Sílvio Heck, o marechal Odílio Denys e o brigadeiro-do-ar Gabriel Grün Moss – divulgaram nota contra a posse de Goulart, para eles inaceitável por ser o herdeiro político de Getúlio Vargas. Estava criada o que se chamou de Crise da Legalidade.

Leonel Brizola falando na "Cadeia da Legalidade", 1961 Legalista, e temeroso de solavancos institucionais que viessem prejudicar seus planos de voltar à presidência em 1965, o senador JK pronunciou-se pela posse do vice-presidente. No Rio Grande do Sul, o governador Leonel Brizola, cunhado de Goulart, declarou-se decidido a pegar em armas pelo respeito à Constituição. Tinha o apoio do comandante do III Exército, general José Machado Lopes, que chefiava as maiores tropas do país, e armou uma aguerrida e ruidosa rede de emissoras de rádio, batizada Cadeia da Legalidade.

Campanha para o plebiscito, 1963 O impasse seria superado com aprovação de uma emenda constitucional que implantou o parlamentarismo – Goulart pôde, finalmente, voltar ao Brasil e, a 7 de setembro de 1961, tomar posse. O chefe do primeiro gabinete parlamentarista foi o deputado Tancredo Neves, do PSD de Minas Gerais.

Mas o novo regime não "pegou", e em janeiro de 1963, um plebiscito trouxe de volta o presidencialismo.