O TEMPO DA AMARGURA (1961-1976)

A cassação do mandato


Instalado na presidência da República, nem por isso Castelo Branco tinha controle total sobre as Forças Armadas. A linha dura, à sua direita, pedia a cabeça de lideranças civis. Fazia pressão o general Costa e Silva, que no dia do golpe se apossara do Ministério da Guerra e Castelo tivera de engolir.

No dia 26 de maio, um emissário do ministro procurou o ex-presidente, no Rio, e lhe pediu, dramaticamente, que desistisse da candidatura em 1965, "para o bem do Brasil e para seu próprio bem". JK não aceitou.

No mesmo dia, durante um vôo de São Paulo para Brasília, Costa e Silva disse ao presidente, diante de várias testemunhas: "Seu Castelo, temos que cassar o Juscelino".

"Castelo ficou numa situação difícil", lembrou anos mais tarde o general Ernesto Geisel, na época ministro-chefe do Gabinete Militar da presidência da República. "Na verdade, acho que ele não queria cassar o Juscelino. Mas o Costa e Silva fez a proposta."

O mentor da cassação de JK se orgulhava do seu feito. Tancredo Neves contava que certa vez a esposa do então governador mineiro Israel Pinheiro, d. Coraci, comentou com Costa e Silva, durante um café-da-manhã no Palácio das Mangabeiras, em Belo Horizonte: tinha admiração por Castelo, mas não lhe perdoava ter cassado Juscelino. O general respondeu: "Então pode perdoar, porque quem cassou fui eu".