O TEMPO DA AMARGURA (1961-1976)

A caminho do golpe


A direita que em agosto de 1961 tentou impedir a posse de João Goulart na presidência da República, vaga com a renúncia de Jânio Quadros, não haveria de desistir de seus intentos golpistas. Sua tarefa seria facilitada pela fraqueza de Goulart, incapaz de conter a crescente radicalização da esquerda.

O clamor pelas chamadas "reformas de base" – em especial a reforma agrária, em nome da qual surgiram atuantes Ligas Camponesas – cresceu durante o ano de 1963 e os primeiros meses de 1964, na mesma proporção do descontentamento dos conservadores, aos quais se juntavam fatias cada vez maiores de uma classe média atemorizada. A inflação disparava.

Empresários e governadores hostis ao presidente se puseram a conspirar contra ele. As forças golpistas contavam com o apoio cada vez mais explícito do governo dos Estados Unidos, escaldado pelo caráter marxista da vitoriosa Revolução Cubana.

Nas Forças Armadas, o conservadorismo era alimentado também pelo descontentamento com a quebra da hierarquia, pois soldados, marinheiros, cabos e sargentos, atropelando os regulamentos, multiplicavam reivindicações e atos de indisciplina. A figura mais notória desses movimentos, certo cabo Anselmo, teria funesta participação na repressão à militância de esquerda, na qual se infiltrou, durante a ditadura militar.