O TEMPO DA AMARGURA (1961-1976)
O AI-5 e a prisão
Na noite de 13 de dezembro de 1968, o ministro da Justiça do governo Costa e Silva, Luís Antônio da Gama e Silva, foi à televisão, em rede nacional, para liquidar o que ainda restava em matéria de liberdade no país. Sob a forma do Ato Institucional nº 5 (AI-5), o violento "golpe dentro do golpe" suspendeu as garantias individuais e abriu caminho para um novo ciclo punitivo.
As prisões se encheram não apenas de políticos entre eles Carlos Lacerda, que teve os seus direitos políticos suspensos mas também de inúmeros intelectuais e artistas, como Caetano Veloso, Gilberto Gil e os escritores Ferreira Gullar e Carlos Heitor Cony. Sem qualquer possibilidade de se opor à truculência do regime, muitos partiram para o exílio. Outros tomariam o caminho desesperado da luta armada.
Naquela noite, o ex-presidente JK paraninfava uma turma de formandos em engenharia no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. À saída, foi preso por um oficial à paisana e levado para um quartel em Niterói, onde permaneceu por vários dias, sem roupa para trocar e nada para ler, num pequeno quarto onde todos os seus movimentos eram observados, o tempo todo, através de um buraco no teto. Quando finalmente saiu, foi levado para o seu apartamento, na zona sul do Rio, e ali viveu durante um mês em regime de prisão domiciliar.
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