UM FURACÃO NA PRESIDÊNCIA (1955-1961)

Turbulências pela frente


Carlos Lacerda é levado ao hospital após o atentado da rua Toneleros, 1954 O último ano de JK no governo de Minas foi dos mais acidentados, e não apenas para ele. Em abril de 1954, rompeu-se em Belo Horizonte a barragem da Pampulha, que só em 1958 seria reinaugurada. No Rio, na noite de 5 de agosto, pistoleiros mataram o major da Aeronáutica Rubens Florentino Vaz na rua Tonelero, em Copacabana.

Os tiros visavam o jornalista Carlos Lacerda, que, nas páginas de sua Tribuna da Imprensa, fazia violenta campanha contra o presidente Getúlio Vargas. Ferido no pé, Lacerda intensificou seus ataques, ao mesmo tempo em que as investigações policiais revelavam o envolvimento de membros da guarda pessoal do presidente no atentado.

JK e Vargas na inauguração da Mannesmann, 12/8/1954 Getúlio viu-se no centro do que a oposição chamou de "mar de lama". Acuado pelos adversários, com seu poder cada vez mais enfraquecido, ainda assim Vargas fez questão de cumprir sua agenda e viajou a Belo Horizonte no dia 12, para a inauguração da usina da Mannesmann em Contagem. Foi o último ato público do velho presidente, e também seu último encontro com JK, que o hospedou no Palácio das Mangabeiras.

Manifestação pela morte de Getúlio Vargas. Rio de Janeiro, 24/8/1954 Doze dias mais tarde, na manhã de 24 de agosto, depois de anunciar que só morto sairia do Catete, Getúlio Vargas suicidou-se com um tiro no peito, deixando uma contundente carta-testamento.

A candidatura à presidência, que Juscelino vinha engatilhando, entrou em fase de dramática turbulência e por pouco não naufragou.