UM FURACÃO NA PRESIDÊNCIA (1955-1961)

A revolta dos estudantes

Greve da UNE contra o aumento das tarifas de bonde. Rio de Janeiro, maio de 1956 Pouco tempo depois do levante de Jacareacanga, em fevereiro de 1956, foi a vez dos estudantes: em maio, nas ruas do Rio de Janeiro, eles armaram manifestações contra um aumento no preço das passagens de bonde. Incontroláveis, os protestos se alastraram, criando uma situação inquietante. Já não era um problema estudantil, mas de ordem pública.

Houve pancadaria em frente ao prédio da União Nacional dos Estudantes (UNE), na praia do Flamengo, que fora cercado pelo Exército, e até um parlamentar levou bordoada. A história rendeu furiosos discursos na Câmara dos Deputados e ameaçava inchar perigosamente.

JK teve então a idéia de convidar as lideranças estudantis para uma conversa no Palácio do Catete. Recebeu-os com um sorriso e, num lance de grande esperteza, fez questão de que o presidente da UNE, Carlos Veloso de Oliveira, se sentasse na cadeira reservada ao chefe da nação – para que o rapaz, pondo-se no seu lugar, pudesse avaliar as graves responsabilidades da hora. "Carlos, me ajude a salvar o regime", pediu Juscelino.

A rebelião terminou ali, em clima de grande cordialidade.

Como no episódio da anistia aos revoltosos de Jacareacanga, JK agira movido pelo que se chamou de "instinto kubitschekiano" – que não costumava falhar.