UM FURACÃO NA PRESIDÊNCIA (1955-1961)
Preparado para bater em Jânio
A posse de Jânio Quadros na presidência, no dia 31 de janeiro de 1961, poderia ter se transformado num escândalo sem precedentes na história da República. Quem conta é o escritor Carlos Heitor Cony, no livro JK Memorial do exílio:
"Somando informações de outros setores, JK ficou sabendo que o seu sucessor, realmente, aproveitaria a própria cerimônia de posse para, diante das autoridades, do povo, da televisão, insultá-lo pessoalmente, dedo em riste gesto que se devia menos à agressividade de Jânio e mais à sua retórica provinciana.
"Tomara então uma decisão, a única que lhe deu tranqüilidade para reagir à provocação que as paixões políticas pretendiam colocar à sua frente, desafiando-o em seu último dia de poder.
"Se, durante a cerimônia, Jânio lesse tal discurso, com acusações e infâmias que nem mesmo durante a campanha eleitoral tivera a coragem de formular, JK partiria para a solução que lhe restava: a reação física, de homem para homem, o escândalo. Sua decisão, acrescida e beneficiada pelas versões de cada um dos que dela tomaram conhecimento, chegou ao quartel-general de Jânio.
"Em seu livro de memórias, o próprio JK diz que pediu aos encarregados do cerimonial que colocassem os dois mandatários o que saía e o que entrava bem afastados das demais autoridades. Uma boa briga exige espaço. Jânio não leu o discurso."
|