UM FURACÃO NA PRESIDÊNCIA (1955-1961)

A Operação Pan-Americana

Concebida pelo escritor Augusto Frederico Schmidt, seu conselheiro, a Operação Pan-Americana (OPA) foi a grande tacada da política externa do presidente JK.

A idéia nasceu quando o vice-presidente americano Richard Nixon, em visita a países da América Latina, em 1958, foi recebido em toda parte com ruidosos protestos contra a política de seu país para o continente.

Instigado por Schmidt, Juscelino escreveu uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Dwight Eisenhower, na qual, depois de lamentar aqueles incidentes, propôs que se buscasse um novo relacionamento entre os países das Américas, sob a forma de um programa multilateral de desenvolvimento econômico que constituiria, também, uma estratégia de defesa do continente.

Eisenhower foi receptivo e conversações se puseram em marcha. A Operação Pan-Americana empacou, no entanto, pois a opção da Revolução Cubana pelo socialismo, no início dos anos 1960, veio transformar o combate ao comunismo na política prioritária dos Estados Unidos para a América Latina.

Já no governo John Fitzgerald Kennedy, numa iniciativa unilateral, Washington pôs de pé a sua própria operação pan-americana, que se chamou Aliança para o Progresso. Com seu caráter basicamente assistencialista, não teria vida longa.

Sem ter ido adiante, a OPA de Juscelino Kubitschek deixou pelo menos um fruto: o atuante Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), criado em dezembro de 1959.

A política externa do governo Kubitschek foi marcada, ainda, por um ruidoso rompimento com o FMI, o Fundo Monetário Internacional, e por negociações nem sempre tranqüilas com John Foster Dulles, inflexível secretário de Estado do governo americano.