UM FURACÃO NA PRESIDÊNCIA (1955-1961)

Sem medo


Café Filho, 1955 Morto Getúlio Vargas, assumiu a presidência o vice, João Café Filho, político do Rio Grande do Norte filiado ao Partido Social Progressista (PSP).

Mês e meio mais tarde, em outubro de 1954, quando Juscelino, ainda governador de Minas, deixou clara a sua intenção de disputar a sucessão em 1955, Café chamou-o ao Catete. Tentou convencê-lo a aceitar a idéia do governador pernambucano Etelvino Lins - pessedista eleito com o apoio da União Democrática Nacional (UDN) - de se buscar uma candidatura única.

JK, que não gostava de Café Filho - destinatário de uma deliciosa farpa sua -, não gostou também da idéia, e trabalhou para que o Partido Social Democrático (PSD) tivesse candidato próprio.

Mais difícil foi obter apoio do partido para o seu nome, contra o qual votaram as bancadas de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul e de Pernambuco. Enfrentou resistências, também, da parte de seu antigo padrinho político, Benedito Valadares, temeroso de que o crescimento de JK lhe roubasse influência em Minas. Ainda assim, a indicação foi aprovada.

No final do ano, militares de alta patente levaram a Café Filho um documento em defesa da candidatura única. O presidente - que tomou a iniciativa de ler o texto no programa A voz do Brasil - ainda procurou demover JK, com o argumento de que as Forças Armadas não aprovavam a sua pretensão. O governador mineiro não se deixou intimidar. "Deus poupou-me o sentimento do medo", declarou.

Comentário de Benedito: "Esse telegrafista ainda vai nos levar para o buraco". A outro interlocutor: "O Juscelino quer bancar o Tiradentes com o pescoço dos outros".