UM FURACÃO NA PRESIDÊNCIA (1955-1961)

O levante de Jacareacanga

Juramento constitucional de JK no Congresso, 31/1/1956 Restabelecida a ordem, graças ao contragolpe de 11 de novembro, JK viajou pela Europa e Estados Unidos antes de tomar posse na presidência da República, a 31 de janeiro de 1956, com 53 anos de idade. Imediatamente, pediu e obteve que o Congresso suspendesse o estado de sítio implantado em novembro. Pôs fim também à censura à imprensa. E deu partida a seu ambicioso programa de governo, conhecido como Plano de Metas.

Mal esquentara a cadeira presidencial quando, a 11 de fevereiro de 1956, dois oficiais da Aeronáutica, o major Haroldo Veloso e o capitão José Chaves Lameirão, se apossaram de um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) e voaram para a base de Jacareacanga, no Pará. Lá se juntou aos revoltosos o major Paulo Vítor da Silva – ao mesmo tempo em que, por todo o país, oficiais da Aeronáutica se recusaram a cumprir ordens do ministro, o major-brigadeiro Vasco Alves Seco.

Major Haroldo Veloso, à direita, preso após o levante de Jacareacanga A rebelião foi debelada em pouco mais de duas semanas, com a prisão de Haroldo Veloso e a fuga de Lameirão e Paulo Vítor para a Bolívia.

Em lugar de punir os revoltosos, JK os desarmou, concedendo-lhes anistia.

Três anos depois, em 1959, já tenente-coronel-aviador, Veloso participará de outro levante, em Aragarças. Foi de novo anistiado. Com o golpe de 1964, chegou ao topo da carreira, como brigadeiro.

No final dos anos 1960, perseguido pela ditadura militar, JK teve a surpresa de receber a visita de Haroldo Veloso, no Rio. "Presidente", disse o brigadeiro, "vim aqui para me penitenciar do meu erro".