UM FURACÃO NA PRESIDÊNCIA (1955-1961)

O homem JK

JK com a atriz americana Kim Novak Informal, mas nunca vulgar, Juscelino Kubitschek tinha hábitos simples – um dos quais, tirar os sapatos, fazia a delícia dos fotógrafos. Teria, quando jovem, machucado um dedo, e sempre que podia liberava os pés – os pés que lhe valeram fama de exímio dançarino. Mesmo que fosse em presença de uma beldade como a atriz americana Kim Novak, em cuja companhia foi fotografado – ambos descalços, numa cena que inspirou bela página do escritor Nelson Rodrigues.

Filho de Diamantina, adorava serenata, em especial quando se cantava o "Peixe vivo", canção folclórica que acabou se convertendo numa espécie de hino com que Juscelino era saudado em toda parte. Em 1968, por iniciativa do amigo e antigo assessor Serafim Jardim, gravou texto de apresentação para um disco – JK em serenata – de seresteiros diamantinenses. Gostava do "Apesar de você" de Chico Buarque. E de "Fascinação", que pediu para Nat King Cole tocar e cantar para ele no Palácio do Catete, certo dia de 1959.

Flexível, não se acanhava de mudar de idéia quando necessário: "Não tenho compromisso com o erro", insistia. E, se alguma coisa não dava certo – sua tentativa de entrar para a Academia Brasileira de Letras, por exemplo –, não se deixava abater: "Vamos virar essa página", dizia. Virou muitas.