UM FURACÃO NA PRESIDÊNCIA (1955-1961)

As eleições de 1960

A sucessão de Juscelino Kubitschek já estava aberta em 1959, mais de um ano antes do término de seu mandato.

A primeira candidatura a se firmar foi a de Jânio Quadros, com o apoio da UDN. Fiel a seu estilo, a certa altura o ex-governador paulista renunciou à disputa – provocando, com isso, o levante militar de Aragarças –, para voltar atrás dias depois. Desafeto de Jânio, o prefeito de São Paulo, Ademar de Barros, lançou-se outra vez por seu PSP.

Entre os governistas, custou a sair um nome. Matreiramente, JK chegou a cogitar a candidatura de um udenista, o cearense Juraci Magalhães, então governador da Bahia. Seria uma forma de criar uma alternância, quebrando o domínio do PSD e do PTB, que se estendia desde a eleição de Getúlio Vargas, em 1950. Para JK, ficaria mais fácil voltar como oposição em 1965. A candidatura Juraci seria uma forma, também, de garantir a ele um pós-governo razoavelmente a salvo das perseguições da UDN, já que o ocupante do Palácio do Planalto seria um udenista. A idéia não prosperou.

Jânio Quadros em campanha. São Paulo, 1960 Aos poucos, consolidou-se a candidatura do ministro da Guerra, marechal Henrique Lott. O PSD aprovou sem problemas a indicação do homem que garantira a posse de Juscelino, mas no PTB houve resistências, pois Leonel Brizola forçava a escolha de um nome "popular e nacionalista" para encabeçar a chapa do governo, na qual o vice seria, outra vez, João Goulart. O próprio Goulart impôs o general Lott – cujo símbolo de campanha seria uma espada, contra a vassoura com que Jânio prometia "varrer a bandalheira".

A 3 de outubro de 1960, Jânio Quadros saiu vitorioso com 5 636 623 votos (48% dos votos válidos), contra 3 846 825 (32%) dados ao marechal Lott e 2 195 709 (20%) a Ademar de Barros.