UM FURACÃO NA PRESIDÊNCIA (1955-1961)

O dia-a-dia do presidente

O presidente JK era madrugador. Às seis horas, no Palácio das Laranjeiras, já estava no banho, providenciado pelo camareiro Geraldo Batista. Ali mesmo, na banheira, começava trabalhar, despachando com assessores mais chegados – o coronel Affonso Heliodoro, por exemplo, subchefe do gabinete civil. Ou o escritor Autran Dourado, secretário de Imprensa. "A minha intimidade com JK ia a tal ponto que chegava mesmo ao ridículo de eu despachar com ele no banheiro, o que não me agradava muito", conta Autran no livro Gaiola aberta. "Me incomodava sobretudo ele ficar se ensaboando na banheira."

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Encontrava preparadas as roupas que ia vestir. As calças só com suspensório, pois não usava cinto. Os sapatos sem cadarço. As meias pelo avesso, para facilitar o trabalho de calçá-las. O lenço perfumado no bolsinho do paletó.

No café da manhã, rodeado de auxiliares, seguia trabalhando, enquanto dava conta de um bife bem fino, pão com manteiga, queijo-de-minas, café e fruta.

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Se almoçava no Palácio do Catete, d. Sarah mandava comidinha mineira das Laranjeiras. Depois, quando podia, JK punha pijama e tirava uma sesta, seguida de chuveiro. O jantar nunca era servido antes das nove da noite. De raro em raro, uma roda íntima de papo e música, com o pianista Bené Nunes, o violonista Dilermando Reis e a voz do amigo César Prates, fechava a noite.

Férias? Não teve disso nos dez anos de governador e de presidente da República, atesta o coronel Affonso Heliodoro.