UM FURACÃO NA PRESIDÊNCIA (1955-1961)

A compra do porta-aviões

Porta-aviões Minas Gerais No final de seu primeiro ano de mandato, ainda sob forte oposição de setores das Forças Armadas, Juscelino achou prudente atender a uma reivindicação da Marinha e da Aeronáutica – e autorizou a compra do porta-aviões inglês Vengeance, que no Brasil foi rebatizado Minas Gerais.

Custou 82 milhões de cruzeiros. "Se o preço da submissão da Marinha à Constituição é o porta-aviões", ponderou JK, "acho que vale a pena".

Logo se deu conta de que as coisas não correriam exatamente conforme planejara. Para começar, o compositor e cantor Juca Chaves glosou o acontecimento nos versos de uma marchinha:

    "Brasil já vai à guerra
    comprou porta-aviões
    Um viva pra Inglaterra
    de 82 milhões
    – ah, mas que ladrões!"
E foi o de menos, a irreverência do menestrel. Longe de aplacar os ânimos dos militares, o Minas Gerais veio abrir uma crise entre a Aeronáutica e a Marinha, que disputavam o direito de controlar os aviões embarcados. A pendenga se arrastaria até 1964, quando o governo Castelo Branco deu ganho de causa à Aeronáutica.