UM FURACÃO NA PRESIDÊNCIA (1955-1961)

A candidatura em risco

Os meses que precederam as eleições de 1955 foram de constante crise.

Em agosto, no primeiro aniversário do atentado da rua Tonelero, o general Canrobert Pereira da Costa fez um discurso pondo em dúvida a legalidade e o caráter democrático do regime.

Dias depois, um manifesto do Partido Comunista Brasileiro (PCB) causou irritação nas Forças Armadas ao anunciar apoio à chapa JK-João Goulart.

Também em agosto, alegando risco de fraude eleitoral, a UDN propôs a adoção de uma cédula única com os nomes dos quatro candidatos, a ser distribuída pelo Estado. Até então, cada partido fazia e distribuía as cédulas com o nome de seu candidato. Para garantir que a cédula única chegasse a todos os cantos do país – já que o poder central lhe era hostil –, o PSD conseguiu que também os partidos pudessem distribuí-la.

Ao mesmo tempo, o deputado udenista Carlos Lacerda propôs um pacote de medidas que incluiriam a adoção do parlamentarismo, o adiamento das eleições, a dissolução do Congresso Nacional e a convocação de uma assembléia destinada a votar uma nova Constituição que os ministros elaborariam.

Em setembro, o mesmo Lacerda divulgou um documento – forjado –, a chamada carta Brandi, em que um deputado argentino mencionava acordo entre João Goulart e o presidente Juan Domingo Perón para a implantação de uma república sindicalista no Brasil.

Num último lance para evitar a vitória de JK, a UDN tentou mudar a Constituição para que nenhum candidato fosse declarado eleito se não obtivesse a maioria absoluta dos votos (50% mais um). Não conseguiu.