UM FURACÃO NA PRESIDÊNCIA (1955-1961) O 11 de novembro O apelo mais direto ao golpe partiu do coronel Jurandir de Bizarria Mamede. Discursando no enterro do general Canrobert Pereira da Costa, dia 1º de novembro de 1955, o militar baiano conclamou as Forças Armadas a impedir a posse de JK e João Goulart. O ministro da Guerra, general Henrique Teixeira Lott, quis punir Mamede, mas o coronel, por pertencer aos quadros da Escola Superior de Guerra, estava subordinado à presidência da República só poderia ser enquadrado se esta o revertesse ao Ministério da Guerra. O presidente, Café Filho, adoeceu dois dias depois, sem ter tomado essa medida, requerida por Lott. Foi substituído pelo presidente da Câmara, Carlos Luz deputado do PSD mineiro bem próximo dos udenistas. Como também Luz resistisse à idéia de punir Mamede, Lott demitiu-se no dia 10. Na madrugada de 11, porém, antes que o seu sucessor fosse empossado, pôs os tanques nas ruas do Rio, desfechando um "contragolpe preventivo", ou "golpe da legalidade", para a garantir a posse dos eleitos.
Café Filho, cuja simpatia pela causa golpista era evidente, foi impedido de reassumir o posto, ocupado agora pelo vice-presidente do Senado, Nereu Ramos. Este solicitou e obteve do Congresso a aprovação do estado de sítio e o país, em relativa tranqüilidade, caminhou para a posse de JK e João Goulart. Mas a novela do 11 de novembro não se fecharia sem o tempero brasileiro do humor, por conta do impagável Barão de Itararé, pseudônimo do jornalista e humorista gaúcho Aparício Torelly (1895-1971), que deu a sua versão sobre o contragolpe desfechado pelo general Lott: "No Palácio do Catete, em 11 de novembro de 1955, faltava Café e Luz, mas tinha pão de Lott".
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