DIAMANTE EM FORMAÇÃO (1902-1932)

No seminário


Com a morte do marido, em 1905, Júlia Kubitschek se mudou com os dois filhos para o morro da Grupiara e, mais tarde, para uma casinha na rua São Francisco, 241, em Diamantina, onde a família viveria por onze anos e que abriga hoje o museu Casa de Juscelino.

Foi com a mãe que o garoto fez os seus primeiros estudos. O tempo livre era preenchido com as histórias contadas pela amiga e vizinha Augusta de Generosa, filha de escravos, e brincadeiras com um carneirinho, o Gigante. Lembranças fortes daquela época: a chegada da luz elétrica a Diamantina e a passagem do cometa de Halley, ambas em 1910.

Concluído o curso primário (foi o orador da turma, lendo discurso escrito por seu tio Juscelino Fonseca), como não houvesse ginásio na região, Juscelino convenceu a mãe a matriculá-lo no seminário de Diamantina. D. Júlia relutou: a mensalidade era de 50 mil-réis e ela ganhava pouco mais de 140 por mês. O reitor disse ao menino que os estudos nada lhe custariam se quisesse ser padre. Juscelino respondeu que a vida religiosa não o tentava, mas ainda assim foi aceito, pagando 40 mil-réis por mês.

Juscelino, o segundo da direita para a esquerda na última fila, no seminário de Diamantina Entrou aos doze anos, em 1914, e ali permaneceu até 1917, num regime espartano em que tinha que estar de pé às cinco da manhã e deitar-se às oito da noite. A batina, obrigatória até para jogar futebol, só era despida para dormir e tomar banho, não raro num ribeirão das vizinhanças.

O mais famoso ex-aluno do seminário de Diamantina deixou nele marcas até físicas de sua passagem por lá: o nome gravado, a canivete, no tampo da carteira que ocupava na sala de estudos.