DIAMANTE EM FORMAÇÃO (1902-1932)

Rumo a Paris


Com exceção da irmã, Naná, toda a família achou que Juscelino ia dar um mau passo quando, em 1930, decidiu interromper uma carreira que ia tão bem e buscar especialização na Europa. Ele teria que abrir um parêntese, também, em seu namoro com Sarah Lemos. Mas estava mesmo decidido. Rapou as economias, vendeu o carro, levantou um empréstimo – e, no final de abril, embarcou para a França.

O dr. Juscelino Kubitschek (última fila, o segundo da esquerda para a direita) com colegas do curso do professor Chevassu. Paris, 1930 Em Paris, matriculou-se no curso do professor Maurice Chevassu, renomado urologista, que incluía treinamento no Hospital Cochin. (Quase três décadas depois, em 1956, visitando a cidade como presidente eleito, o ex-aluno foi ver o velho mestre, que dele se lembrava.)

Terminado o curso, Juscelino fez uma longa viagem de navio pelo Mediterrâneo. Conheceu o Egito, Síria, Turquia, Grécia, Terra Santa e Líbano. Esticou por terra até Milão, Veneza, Viena, Budapeste. Emocionou-se ao conhecer Praga, a capital da Checoslováquia que o bisavô Jan Nepomuscký Kubitschek trocara pelo Brasil um século antes.

Estava em Berlim quando, a 3 de outubro, irrompeu no Brasil a Revolução de 1930. Em Paris, teve a confirmação da vitória, que comemorou em companhia de dois brasileiros de quem se tornara amigo na Europa: o pintor Cândido Portinari e o ator Leopoldo Fróis.

De volta ao Rio de Janeiro, a 21 de novembro, por pouco não cruzou no porto com o presidente deposto, Washington Luís, que na véspera tomara o rumo do exílio.